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Tarifas dos EUA devem manter pressão sobre exportações brasileiras

Publicado 14/07/2026 • 11:41 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Negociação entre Brasil e Estados Unidos deve continuar mesmo após decisão sobre tarifas, diz consultor.
  • Especialista afirma que fatores jurídicos, econômicos e políticos influenciam decisão da Casa Branca.
  • Empresas já buscam novos mercados e avaliam medidas judiciais para reduzir impactos.

Ainda há espaço para negociação entre Brasil e Estados Unidos, mesmo se novas tarifas forem anunciadas, afirmou nesta terça-feira (14) o consultor em comércio internacional Welber Barral, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a decisão americana envolve aspectos jurídicos, econômicos e políticos, o que mantém a expectativa de continuidade das conversas entre os dois países após o anúncio previsto pelo governo dos EUA.

“A negociação deve continuar, mesmo que seja aplicada. O USTR entrega uma recomendação ao presidente americano, que pode aceitá-la, modificá-la ou até decidir não aplicá-la”, afirmou Barral ao comentar o estágio final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.

Peso da política

Barral explicou que o processo não depende apenas da análise técnica da investigação comercial. Para ele, embora haja fundamentos jurídicos e econômicos que orientem a decisão americana, o componente político pode acabar tendo peso relevante na definição do presidente Donald Trump.

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“Existe um aspecto jurídico, existe um aspecto econômico, mas há também um elemento político que é imponderável. O governo Trump certamente levará isso em consideração antes de decidir”, disse.

Na avaliação do consultor, diversos produtos brasileiros considerados estratégicos para o mercado americano tendem a ficar de fora de eventuais sobretaxas. Entre eles, ele citou café, carne, suco de laranja e minerais, por serem importantes para consumidores e cadeias produtivas dos Estados Unidos.

Integração das cadeias

Barral também afirmou que ainda não está claro quais concessões comerciais Washington efetivamente espera do Brasil. Segundo ele, temas frequentemente mencionados, como Pix, comércio digital e minerais críticos, envolvem decisões legislativas brasileiras e dificilmente avançariam em um período eleitoral.

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“Há uma preocupação de que essa seja uma decisão muito superficial, sem avaliar o impacto sobre empresas americanas que operam no Brasil e sobre a própria integração das cadeias produtivas entre os dois países”, afirmou.

O consultor destacou que decisões semelhantes já foram revistas pelos próprios Estados Unidos após provocarem efeitos negativos sobre sua indústria. Ele lembrou casos envolvendo México, Canadá, China, União Europeia e, mais recentemente, a investigação sobre o setor aeronáutico, que acabou sendo interrompida.

“Os Estados Unidos têm percebido que o comércio internacional é muito mais complexo do que decisões unilaterais tomadas de forma rápida”, observou.

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Alternativas para o Brasil

Caso as tarifas sejam confirmadas, Barral acredita que tanto o governo quanto o setor privado já dispõem de caminhos para reduzir os impactos. Segundo ele, uma das estratégias é acelerar acordos comerciais com outros mercados, enquanto o governo poderá avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade e manter a disputa aberta na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Do lado das empresas, ele prevê maior diversificação de mercados e o aumento de ações na Justiça americana para contestar a investigação. Na avaliação do consultor, a insegurança jurídica já impõe custos adicionais às companhias.

“O protecionismo no mundo continua aumentando. Esse não é um cenário que deve mudar nos próximos anos, e as empresas precisarão continuar se adaptando”, concluiu.

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