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Entrelinhas de Mercado: “É preciso aumentar a qualidade da formação do jovem”, diz Pedro Englert, presidente da Junior Achievement Brasil

Publicado 27/10/2026 • 21:41 | Atualizado há 7 horas

KEY POINTS

  • Pedro Englert, presidente do Conselho da Junior Achievement Brasil, defende aproximar empresas e instituições de ensino para acelerar a formação profissional dos jovens.
  • A organização entregou 1 milhão de experiências educacionais no Brasil no último ano, atua em 20 estados e concentra 95% de suas atividades em escolas públicas.
  • Englert alerta que a inteligência artificial pode dificultar a entrada de jovens no mercado de trabalho e afirma que a educação será decisiva para ampliar a capacidade de geração de valor dos profissionais.

A inteligência artificial pode ampliar a produtividade dos profissionais experientes e, ao mesmo tempo, dificultar a entrada de jovens no mercado de trabalho.

Para Pedro Englert, presidente do Conselho da Junior Achievement Brasil, o cenário exige acelerar a formação profissional e aproximar empresas e instituições de ensino.

“É preciso aumentar a qualidade da formação do jovem para que ele vire sênior ainda estudante”, afirmou Englert em entrevista ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

O executivo avalia que profissionais com experiência conseguem aproveitar melhor as ferramentas de inteligência artificial, enquanto aqueles que estão começando podem ter mais dificuldade para demonstrar valor.

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Esse cenário coloca em risco a formação da próxima geração de trabalhadores, que precisa adquirir experiência para assumir funções mais complexas no futuro.

“Como é que o júnior vira sênior? Quando eu consigo trazer alguém para próximo do mercado, adicionando à educação acadêmica ou convencional a educação prática do mercado”.

Na avaliação de Englert, a educação precisa acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas. Ele defende que o contato com profissionais e empresas durante a formação ajuda os jovens a desenvolver habilidades que nem sempre são contempladas pelo ensino tradicional.

A Junior Achievement trabalha com programas de empreendedorismo, preparação para o mercado de trabalho e educação financeira.

No último ano, a organização entregou 1 milhão de experiências educacionais no Brasil. Presente em 20 estados, pretende ampliar suas operações nos próximos meses para voltar a atuar em todas as 27 unidades da federação.

Cerca de 95% das atividades são realizadas em escolas públicas. Para Englert, a instituição tem o papel de complementar a formação oferecida pelas escolas e aproximar os estudantes das demandas profissionais.

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Um dos principais projetos é o Mini Empresa, programa de 14 semanas no qual grupos de aproximadamente 30 jovens criam e administram um negócio com o acompanhamento de quatro orientadores.

Durante a experiência, os participantes escolhem um produto ou serviço, calculam os custos, captam recursos com a venda de ações, produzem e comercializam. Também pagam impostos e, ao final, encerram a empresa e devolvem aos acionistas o resultado obtido, positivo ou negativo.

A organização também oferece programas digitais e presenciais de diferentes durações. Entre as iniciativas está o Executivos na Escola, que leva profissionais para conversar com estudantes e compartilhar experiências do mercado de trabalho.

Empresas precisam participar da formação

A Junior Achievement é financiada por empresas e empresários que apoiam tanto a estrutura da organização quanto projetos específicos. Entre os apoiadores citados por Englert estão grupos empresariais, instituições financeiras e companhias que contratam programas para serem realizados em diferentes regiões.

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Além do financiamento, o executivo destaca a importância da participação voluntária de profissionais que atuam como mentores e orientadores.

Para ele, a aproximação entre empresas e instituições de ensino é uma das principais formas de atualizar a formação dos estudantes. Englert critica modelos educacionais que levam anos para incorporar práticas do mercado e acabam transmitindo conteúdos que já não correspondem às necessidades profissionais.

“Eu preciso me abrir para o mercado, eu preciso me conectar com o mercado, eu preciso saber onde as coisas acontecem hoje para ensinar aquilo que está acontecendo hoje”.

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O executivo também avalia que parte do ensino universitário enfrenta uma crise por priorizar a venda de diplomas sem garantir, necessariamente, que os alunos estejam preparados para exercer suas funções.

“Quem se preocupar em, de fato, criar bons profissionais, eu acho que vai ter uma avenida de crescimento super bacana aqui pela frente”.

Educação e autoestima como ferramentas

Além da formação técnica, Englert considera que o desenvolvimento da autoestima e o contato com referências profissionais ajudam os jovens a enxergar novas possibilidades de carreira.

Ele relata que sua própria experiência na Junior Achievement, quando tinha entre 16 e 18 anos, contribuiu para sua formação. Na época, participava de encontros com empresários e percebeu que profissionais que admirava também enfrentavam dúvidas, erros e dificuldades.

“Eles são pessoas normais e contavam as suas histórias, os seus erros, os seus acertos, as brigas. Então, aquilo que você acha impossível, você vê que essa pessoa é humana que nem eu”.

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Na avaliação do executivo, a tecnologia deve ser utilizada para ampliar as capacidades humanas, e não apenas para substituir tarefas. “Se a gente se limitar a usar tecnologia para substituir algo que eu faço, eu me tornei dispensável. Agora, se eu usar a tecnologia para me potencializar, eu estou fazendo o uso correto dela”.

Automação e o futuro do trabalho

A transformação do mercado de trabalho também levanta dúvidas sobre a disponibilidade de empregos e a possibilidade de adoção de mecanismos como a renda básica universal. Englert reconhece que a automação pode eliminar funções, especialmente aquelas associadas ao trabalho físico, mas acredita que a preparação intelectual pode ampliar as oportunidades.

“Educação nunca foi tão importante para criar valor, criar utilidade nas pessoas, e a falta dela nunca foi tão perigosa”.

Para ele, o principal desafio é garantir que a velocidade de transformação da formação profissional acompanhe a evolução tecnológica. Caso contrário, parte da população poderá ter dificuldade para encontrar espaço em uma economia cada vez mais automatizada.

“Se todas as pessoas estiverem educadas e capacitadas, eu tenho certeza que vai ter espaço para todo mundo”, disse Englert.

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