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Entrelinhas de Mercado: Eventos presenciais ganham força e viram estratégia de negócios das empresas, diz Raffaelle Cecere, CEO do Grupo R-1
Publicado 06/10/2026 • 21:26 | Atualizado há 32 minutos
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Publicado 06/10/2026 • 21:26 | Atualizado há 32 minutos
KEY POINTS
Os eventos presenciais deixaram de funcionar apenas como instrumentos de marketing e passaram a ocupar espaço na estratégia de negócios das empresas, em um mercado que se fortaleceu após a pandemia e no qual a conexão física voltou a ganhar importância, avaliou Raffaelle Cecere, fundador e CEO do Grupo R-1, em entrevista nesta terça-feira (6) ao programa Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para o executivo, a mudança está ligada tanto à profissionalização do setor quanto à busca das empresas por contato direto com clientes e públicos específicos. Eventos menores ficaram mais intimistas, enquanto grandes produções continuam avançando em escala e tecnologia.
“O setor de eventos está realmente, depois da pandemia, muito aquecido. As pessoas querem essas conexões. Os eventos mudaram de quando comecei para agora, a coisa está completamente diferente”, avaliou.
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Cecere destacou que o evento presencial oferece uma característica difícil de reproduzir em estratégias de comunicação de massa: a pessoalidade e o contato direto entre empresas e público.
“O que o evento, na minha opinião, entrega, diferente de uma mídia de massa ou uma publicidade numa TV, é a questão da pessoalidade. Você vai estar ali, olho no olho”, explicou.
O Grupo R-1 realiza aproximadamente 50 eventos simultâneos praticamente todos os dias e está presente em mais de 60 hotéis e espaços. Em São Paulo, segundo Cecere, a empresa atua em praticamente todos os hotéis de luxo atendidos pelo grupo.
A companhia começou como fornecedora de equipamentos, mas ampliou a operação até se transformar em uma holding com seis empresas, incorporando serviços como cenografia, mobiliário, geração de energia, tecnologia e audiovisual.
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Cecere contou que percebeu cedo que equipamentos poderiam se transformar em commodities, já que concorrentes têm acesso às mesmas tecnologias. A estratégia passou então a ser oferecer soluções integradas a partir do objetivo de cada cliente, em vez de competir apenas pelo preço dos equipamentos.
“Quando eu começo a ofertar para você soluções, entender o teu objetivo, aí eu preciso estar com as soluções”, ressaltou.
A experiência da pandemia levou grande parte dos eventos para plataformas digitais, mas esse movimento perdeu força com a retomada dos encontros presenciais.
Segundo Cecere, menos de 3% dos eventos realizados atualmente pelo grupo são híbridos ou totalmente online.
“Os eventos online ficaram mais para reuniões, voltaram mesmo para essa questão, porque a questão humana falou um pouco mais alto”, observou.
Para o executivo, o digital continua fazendo sentido especialmente em situações nas quais o conteúdo é o principal objetivo. No presencial, porém, há maior espaço para relacionamento, experiências e também para contornar problemas técnicos sem necessariamente comprometer todo o encontro.
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Siga o Times | CNBCA inteligência artificial já começa a ser incorporada diretamente aos equipamentos utilizados em eventos, segundo Cecere. Ele citou painéis de LED, consoles e mesas de som entre as tecnologias que passam por essa transformação.
“Os painéis de LED já estão vindo embarcados com inteligência artificial, na questão de imagem, o que a gente já estava vendo nas TVs”, comentou.
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O Grupo R-1 também utiliza IA na criação de projetos visuais e implantou robôs para atividades de análise dentro de seus sistemas.“A questão da inteligência artificial, eu acho que é um caminho sem volta. Vai entrar e está entrando mesmo em tudo”, projetou.
Segundo Cecere, a evolução tecnológica também reduz a necessidade de determinadas operações manuais altamente técnicas, facilitando parte do trabalho dos profissionais responsáveis pela produção dos eventos.
Outra frente de investimento está na redução do impacto ambiental das produções. Cecere afirmou que o sistema utilizado pela empresa de cenografia do grupo permite gerar cerca de 90% menos resíduos em comparação com modelos tradicionais.
O executivo também citou a substituição de equipamentos alimentados por pilhas descartáveis. Segundo ele, a mudança para microfones com bateria permitiu à companhia deixar de utilizar aproximadamente 120 mil pilhas por ano. “Olha o impacto. Isso só a nossa empresa. Claro, exige muito mais investimento”, ponderou.
O grupo também começou a investir em geradores elétricos. Cecere comparou o custo de aproximadamente R$ 380 mil de um gerador convencional com cerca de R$ 2,5 milhões para um equipamento elétrico de capacidade equivalente.
Outro investimento citado foi uma máquina de corte de R$ 1,5 milhão, utilizada na operação de cenografia. De acordo com o executivo, a tecnologia reduz em aproximadamente 65% o consumo e o desperdício de materiais envolvidos no processo.
Apesar do avanço tecnológico, Cecere apontou a retenção de profissionais como um dos desafios do setor, especialmente diante do aquecimento do mercado de trabalho e da dinâmica das operações ligadas a eventos e hotelaria.
“O mercado está aquecido, o mercado de trabalho está aquecido. A questão do turnover é uma questão bastante importante, porque é muito dinâmico”, destacou.
Para enfrentar esse cenário, o executivo defende uma cultura na qual diferentes áreas estejam conectadas ao atendimento das necessidades do cliente. “Ou você está em vendas, ou você está para vendas”, resumiu.
Cecere considera que o avanço do mercado dependerá da combinação entre tecnologia, qualidade de execução e compreensão do propósito de cada encontro. Para ele, independentemente de uma grande produção ou de uma estrutura simples, o evento precisa funcionar como ferramenta para transmitir conteúdo, gerar relacionamento e produzir negócios.
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