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Por André Amadeus
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Publicado 08/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto: Freepik
Brasil ganha com petróleo caro? Entenda a avaliação do FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou em relatório divulgado no fim de maio que o Brasil está em uma posição relativamente favorável diante da alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
Apesar de reconhecer benefícios para a economia brasileira, o Fundo recomendou que o governo aproveite o momento para fortalecer as contas públicas e reduzir riscos futuros.
Leia mais: FMI: expectativas de inflação bem ancoradas devem ajudar América Latina no choque de petróleo
Na avaliação do FMI, o Brasil possui características que ajudam a amenizar os impactos negativos de um petróleo mais caro.
Como o país exporta mais petróleo do que importa, parte da elevação dos preços internacionais se transforma em aumento de receitas para empresas e para os cofres públicos.
Segundo o organismo, essa condição torna a economia brasileira mais protegida em comparação com países fortemente dependentes da importação de combustíveis.
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Além disso, a participação significativa de fontes renováveis na geração de energia reduz parte da pressão que poderia surgir sobre os custos internos.
Embora reconheça os ganhos gerados pelo cenário atual, o FMI defende cautela na utilização desses recursos. A recomendação é que o governo preserve uma parcela da arrecadação adicional proveniente do setor petrolífero em vez de ampliar gastos permanentes.
Para o Fundo, a poupança dessas receitas extraordinárias ajudaria a fortalecer a credibilidade da política fiscal, reduzir custos de financiamento e criar condições para investimentos considerados prioritários.
A instituição também sugere que eventuais medidas de apoio à população sejam temporárias e direcionadas aos grupos mais afetados por oscilações econômicas.
O relatório destaca que houve avanços recentes na gestão fiscal brasileira. Ainda assim, o FMI considera que o esforço precisa continuar para garantir uma trajetória mais segura para a dívida pública.
O chefe da missão do organismo, Daniel Leigh, afirmou que reformas fiscais mais amplas serão necessárias para colocar o endividamento do país em uma tendência consistente de queda ao longo dos próximos anos.
Leia também: FMI, Banco Mundial e OMC alertam para esvaziamento recorde das reservas de petróleo
Entre os desafios apontados estão o aumento da arrecadação, a revisão de despesas rígidas e a continuidade de medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas.
Apesar da avaliação relativamente positiva sobre a posição do Brasil, o Fundo alertou para riscos vindos do exterior.
A instituição citou o agravamento de tensões geopolíticas e possíveis restrições nas condições financeiras globais como fatores que podem afetar o crescimento econômico.
Mesmo diante dessas incertezas, o FMI considera que o país conta com mecanismos importantes de proteção, como reservas internacionais robustas, sistema financeiro sólido, taxa de câmbio flexível e estruturas de política econômica capazes de absorver choques externos.
A análise do Fundo também abordou o setor financeiro brasileiro. De acordo com a avaliação realizada em conjunto com o Programa de Avaliação do Setor Financeiro, os bancos continuam apresentando níveis considerados adequados de capitalização e liquidez.
O organismo, porém, recomendou acompanhamento constante dos riscos relacionados ao crédito para famílias e reforço das atividades de supervisão.
Entre as sugestões está o fortalecimento das equipes responsáveis pela fiscalização dentro do Banco Central.
Na visão do FMI, as perspectivas para os próximos anos podem ser favorecidas pela continuidade das reformas estruturais e pela agenda de transição ecológica.
O organismo acredita que medidas voltadas à melhoria do ambiente de negócios, ao aumento da concorrência, à ampliação da participação da força de trabalho e ao avanço da descarbonização podem contribuir para elevar a produtividade, estimular investimentos e sustentar um crescimento econômico mais duradouro.
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Embora o petróleo mais caro represente uma oportunidade de aumento de receitas para o Brasil, o FMI defende que esses recursos sejam utilizados de forma estratégica para reforçar a saúde fiscal e preparar o país para eventuais períodos de instabilidade no cenário global.
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