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Brasil rejeita tarifa de 25% dos EUA: o que pode acontecer agora?

Publicado 04/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • A resposta enviada pelo Brasil representa apenas uma etapa da investigação conduzida pelo USTR.
  • A investigação americana também menciona o desmatamento ilegal como um possível fator de concorrência desleal.
  • A manifestação destaca que a Seção 301 não deveria ser utilizada apenas porque dois países possuem modelos regulatórios distintos.
Bandeira Brasil e EUA

Foto: Canva

Brasil rejeita tarifa de 25% dos EUA: o que pode acontecer agora?

O governo brasileiro enviou nesta quarta-feira (1º) uma resposta oficial aos Estados Unidos contestando a investigação comercial, envolvendo principalmente o Pix, aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

No documento, encaminhado pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil rejeita a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, rebate as críticas feitas ao Pix e pede que Washington mantenha o diálogo em vez de adotar medidas unilaterais.

Leia também: Em resposta ao tarifaço dos EUA, governo brasileiro defende Pix, decisões do STF e combate ao desmatamento

A manifestação foi apresentada durante o andamento da investigação, baseada na Seção 301 da legislação comercial americana.

O que pode acontecer após a rejeição?

A resposta enviada pelo Brasil representa apenas uma etapa da investigação conduzida pelo USTR. A partir de agora, o governo americano analisará os argumentos apresentados antes de decidir se mantém, altera ou encerra o processo.

Caso os Estados Unidos avancem com a aplicação da tarifa de 25%, produtos brasileiros poderão enfrentar custos maiores para entrar no mercado americano, reduzindo a competitividade de parte das exportações.

Leia também: Como o presidente do Banco Central reagiu à pressão americana sobre o Pix

Por outro lado, Washington também pode optar por manter as negociações abertas e buscar soluções específicas para cada tema apontado na investigação, evitando uma medida ampla sobre todos os produtos brasileiros.

Enquanto o processo continua, o governo brasileiro reforça a estratégia de defender suas políticas públicas por meio do diálogo diplomático e dos mecanismos previstos nas regras internacionais do comércio.

Brasil pede diálogo

Na resposta enviada ao governo americano, o Brasil afirma que as conclusões do USTR não demonstram que políticas brasileiras tenham causado prejuízos concretos ao comércio dos Estados Unidos.

O documento sustenta que as ações adotadas pelo país não são discriminatórias nem representam obstáculos injustificados para empresas americanas.

Leia também: BC flexibiliza Pix por aproximação e retira limite diário de R$ 500,00

Segundo o governo, as divergências apresentadas pelos EUA refletem diferenças de políticas públicas e não práticas comerciais ilegais.

A manifestação também destaca que a Seção 301 não deveria ser utilizada apenas porque dois países possuem modelos regulatórios distintos.

Para o Brasil, recorrer a esse mecanismo sem comprovação de dano abriria espaço para questionamentos sobre decisões internas de qualquer nação.

Pix no centro das discussões

Um dos principais pontos da investigação envolve o Pix. Os Estados Unidos questionam o fato de o Banco Central atuar ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos.

Na resposta, o governo brasileiro afirma que o Pix funciona como uma infraestrutura pública aberta, disponível para instituições nacionais e estrangeiras em condições iguais.

Leia também: Entenda por que o PIX ganhou proteção máxima da lei de propriedade industrial

O documento ressalta que empresas internacionais já participam do ecossistema do sistema de pagamentos e argumenta que esse modelo amplia a concorrência, reduz custos e favorece a inclusão financeira.

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O governo também lembra que os próprios Estados Unidos contam com um sistema público de pagamentos instantâneos, o FedNow, administrado pelo Federal Reserve.

Etanol, patentes e combate à corrupção

Além do Pix, a resposta brasileira aborda outros pontos levantados pela investigação americana.

Sobre o etanol, o governo afirma que a tarifa aplicada segue as regras internacionais e vale igualmente para todos os países que não possuem acordos preferenciais com o Brasil.

Também argumenta que fatores como preços, demanda e políticas energéticas influenciam o comércio do produto.

Leia também: Pix recebe registro especial de alto renome e amplia proteção jurídica no Brasil

Na área de propriedade intelectual, o documento destaca avanços na redução do tempo de análise de patentes e afirma que a legislação brasileira atende às exigências internacionais.

Em relação ao combate à corrupção, o governo diz que o país mantém mecanismos de fiscalização respaldados por leis nacionais e acordos internacionais, além de citar milhares de procedimentos administrativos instaurados desde a criação da Lei Anticorrupção.

Governo também rebate críticas ambientais

A investigação americana também menciona o desmatamento ilegal como um possível fator de concorrência desleal.

Na resposta, o Brasil afirma que houve redução dos índices de desmatamento nos últimos anos e aumento dos investimentos em fiscalização ambiental.

O governo também cita operações voltadas ao combate de fraudes relacionadas à exploração de madeira e ao crédito rural.

Leia também: Dino determina multa diária a governos por falta de prestação de contas em emendas Pix

Segundo o documento, esses dados demonstram que o país vem reforçando ações de controle ambiental.

Governo ampliou proteção jurídica do Pix

Em junho, o sistema de pagamentos instantâneos recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o reconhecimento de marca de alto renome.

A medida amplia a proteção jurídica da identidade do Pix em todo o território nacional e impede que empresas utilizem marcas semelhantes em qualquer setor da economia.

Na prática, a decisão fortalece a proteção legal da marca criada pelo Banco Central e reduz o risco de uso indevido de seu nome e de seus elementos visuais, em um momento em que o sistema ganha maior visibilidade internacional e passa a ocupar espaço em debates sobre o mercado global de pagamentos digitais.

Leia também: Pix americano? Entenda as diferenças entre o sistema brasileiro e o Zelle dos EUA

Enquanto responde aos questionamentos dos Estados Unidos, o governo brasileiro reforçou a proteção institucional do Pix.

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