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Brasil ganha peso estratégico entre EUA e China por minerais críticos e terras raras
Publicado 08/05/2026 • 23:45 | Atualizado há 5 dias
Publicado 08/05/2026 • 23:45 | Atualizado há 5 dias
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A disputa global por minerais críticos, terras raras e liderança tecnológica colocou o Brasil no centro da estratégia geopolítica de Estados Unidos e China, tornando a aproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump um movimento altamente estratégico para ambos os países. A avaliação é da professora de Relações Internacionais da UFRJ, Dominique Marques de Souza, que classificou o encontro realizado na Casa Branca como “muito positivo” para o Brasil.
Em entrevista ao Fast Money, jornal do Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC, nesta sexta-feira (8), ela explicou que o principal pano de fundo da reunião foi o crescente interesse americano nos recursos minerais brasileiros em meio à disputa tecnológica com a China. “A importância dos minerais críticos e das terras raras hoje é tão grande quanto a do petróleo no século passado”, afirmou.
A especialista destacou que os Estados Unidos buscam reduzir sua dependência da China na corrida tecnológica global e enxergam o Brasil como parceiro estratégico nesse processo. “Os Estados Unidos estão buscando essa aproximação justamente para diminuir o peso da China nessa disputa tecnológica”, explicou.
Ela lembrou que o Brasil possui atualmente a segunda maior reserva mundial de minerais críticos, atrás apenas da China. Segundo a professora, os chineses concentram cerca de 44 milhões de toneladas desses minerais, enquanto o Brasil possui aproximadamente 21 milhões de toneladas.
“O Brasil também concentra cerca de 24% das terras raras e mais de 90% das reservas de nióbio do planeta”, ressaltou. Segundo ela, esses materiais são fundamentais para setores como inteligência artificial, chips, baterias, indústria militar e aeroespacial.
Na avaliação de Dominique Marques de Souza, o encontro entre os presidentes também simbolizou uma retomada do diálogo diplomático entre os dois governos após momentos de tensão e divergências públicas.
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“A análise sobre o encontro certamente é positiva”, afirmou. Segundo ela, o presidente Lula conseguiu reforçar a tradição diplomática brasileira de manter diálogo aberto com diferentes países e grupos políticos.
“O Lula tem essa característica de mostrar que consegue dialogar com diversos grupos e diversos países sem optar por um lado específico”, pontuou.
A professora também destacou o comportamento adotado por Donald Trump durante a reunião, classificando o encontro como cordial e distante do tom mais agressivo frequentemente associado ao presidente americano.
“Foi interessante perceber a abertura do Donald Trump a esse encontro”, observou. Segundo ela, a imagem dos dois presidentes sorrindo após a reunião refletiu um ambiente genuinamente positivo. “Não foi apenas uma foto protocolar; foi um reflexo do bom momento que tiveram”, destacou.
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Apesar disso, ela ponderou que as divergências entre os dois países ainda não desapareceram completamente, especialmente diante da política tarifária americana e do cenário global de tensão econômica.
Para a especialista, a atual política externa dos Estados Unidos está diretamente ligada às dificuldades econômicas enfrentadas internamente pelo país.
Ela afirmou que o governo Trump tenta fortalecer medidas protecionistas em meio à desaceleração econômica americana, inflação elevada e impactos da guerra envolvendo o Irã sobre os preços globais da energia. “O PIB dos Estados Unidos é sustentado em 70% pelo consumo, e a população americana vem enfrentando dificuldades para manter os altos níveis de consumo”, explicou.
Segundo Dominique Marques de Souza, o conflito envolvendo o Irã também pressiona a inflação mundial e pode gerar risco de recessão internacional devido ao aumento dos combustíveis.
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Nesse contexto, ela avalia que o Brasil passou a ser visto pelos Estados Unidos como parceiro relevante tanto economicamente quanto geopoliticamente. “O Brasil voltou a fazer parte das dez maiores economias do mundo e ocupa uma posição estratégica entre aquilo que é importante para a China e para os Estados Unidos”, afirmou.
A professora destacou ainda que a aprovação do marco regulatório dos minerais críticos pelo Congresso brasileiro um dia antes da reunião reforçou o peso estratégico do encontro. “Foi muito interessante que essa regulamentação tenha sido aprovada antes da reunião, porque o Brasil mostra que quer investimentos e não apenas exportar matéria-prima”, observou.
Segundo ela, estados como Minas Gerais e Goiás, ricos em reservas minerais, precisam receber mais investimentos produtivos ligados à cadeia de transformação industrial.
Ao comentar a futura reunião entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, Dominique Marques de Souza avaliou que a relação entre as duas potências continuará marcada por tensão estratégica, mas também por forte dependência econômica. “Os Estados Unidos dependem muito da China, principalmente no refino desses minerais críticos”, afirmou.
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Segundo ela, embora exista uma disputa por liderança global, a China tem evitado uma postura militarmente agressiva nos conflitos internacionais recentes. “A China não se colocou de forma bélica até agora e isso dificulta uma escalada maior de tensão”, explicou.
A professora afirmou que os Estados Unidos tentam preservar sua influência global diante do avanço chinês, especialmente após a expansão da Nova Rota da Seda. “A China está criando uma estrutura comercial que vai além do dólar e isso preocupa profundamente os Estados Unidos”, ressaltou.
Para Dominique Marques de Souza, a tendência é de que Washington busque ampliar relações estratégicas com países como o Brasil para reduzir sua vulnerabilidade diante da China. “O que resta aos Estados Unidos é buscar alternativas como o Brasil, já que as reservas minerais estão fortemente concentradas no território chinês”, concluiu.
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