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Reaproximação entre Lula e Trump dá ao Brasil “ganho de tempo” contra tarifas e amplia espaço em minerais críticos, diz especialista
Publicado 08/05/2026 • 11:15 | Atualizado há 5 dias
Publicado 08/05/2026 • 11:15 | Atualizado há 5 dias
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A reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump representou um movimento positivo para o Brasil ao ampliar espaço de negociação com os Estados Unidos, reduzir tensões diplomáticas e garantir mais tempo diante da ameaça de novas tarifas comerciais. A avaliação é do professor de Relações Internacionais da Unicsul e especialista em política externa brasileira, Conrado Ottoboni Baggio, que vê no encontro uma sinalização importante de reaproximação entre os dois governos.
Em entrevista ao Pré-Market, jornal matutino do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (8), o especialista explicou que, embora o encontro em Washington não tenha produzido anúncios concretos ou acordos imediatos, o saldo político foi favorável para o Brasil. “Apesar de faltarem elementos concretos, eu percebo que o saldo da reunião foi positivo”, afirmou. Para ele, a postura adotada pelos dois presidentes demonstrou uma mudança no tom da relação bilateral após episódios anteriores de tensão e trocas de críticas públicas.
Conrado Ottoboni Baggio destacou que os Estados Unidos vivem um momento de revisão estratégica na relação com países da América Latina e passaram a buscar diálogo mais estável com parceiros considerados relevantes na região. “O Trump precisa disso nesse momento”, pontuou o professor, ao citar o cenário geopolítico após desgastes diplomáticos recentes envolvendo Washington.
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Na avaliação do especialista, o principal efeito prático da reunião entre Lula e Trump foi a suspensão, ao menos temporária, do risco de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros. Para ele, o fato de não haver anúncios de restrições já representa um avanço importante para o país.
“O Brasil ganhou tempo, conseguiu estender um pouco mais a sua possibilidade de preparo em relação a novas tarifas”, explicou. Segundo ele, a ausência de medidas que possam encarecer o comércio bilateral é relevante principalmente diante da diferença de peso econômico entre os dois países. “Só o fato da gente não ter nada que vai onerar o comércio entre os países, eu já vejo como um ponto positivo para o Brasil”, ressaltou.
O professor também avaliou que o encontro trouxe um efeito político importante ao reduzir a possibilidade de interferência direta dos Estados Unidos em futuras eleições brasileiras. “Ficou um aceno também de uma limitação da participação ou da influência dos Estados Unidos em eleições futuras aqui dentro”, observou.
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Outro tema central da reunião foi a discussão sobre minerais críticos e terras raras, setor considerado estratégico tanto por Washington quanto por Pequim. Para Conrado Ottoboni Baggio, o Brasil saiu fortalecido ao se apresentar como alternativa para fornecimento desses recursos em meio à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.
“O Brasil ganhou principalmente uma alternativa para esse mercado”, destacou. Segundo ele, embora o setor continue fortemente ligado à China no curto prazo, a disposição brasileira de negociar com os norte-americanos amplia o leque de possibilidades comerciais e diplomáticas.
O especialista afirmou que o posicionamento brasileiro ajuda a consolidar a imagem de um país independente nas relações internacionais. “O fato do Brasil se mostrar como um país autônomo, disposto a conversar com a Casa Branca sobre esse quesito, demonstra que o país pode vir a ser um fornecedor alternativo desse tipo de recurso”, frisou.
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Para ele, a aproximação também reduz desconfianças dos Estados Unidos em relação ao alinhamento internacional brasileiro. “Isso acalma os Estados Unidos porque apresenta um parceiro que não está alinhado diretamente a uma posição antiamericana”, concluiu.
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