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Economia Brasileira

Neutralidade do Brasil atrai corrida por terras raras, avalia CEO da Atlas Critical Minerals

Publicado 11/06/2026 • 14:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A combinação entre demanda crescente por minerais críticos, estabilidade regulatória e neutralidade geopolítica colocou o Brasil no centro do interesse global por terras raras.
  • Apesar das grandes reservas minerais, o país ainda enfrenta desafios tecnológicos para avançar no processamento e refino desses elementos estratégicos.
  • A construção de uma indústria nacional de maior valor agregado exigirá políticas específicas, investimentos privados e um horizonte de longo prazo.

O aumento dos pedidos de pesquisa para terras raras no Brasil reflete uma combinação entre vantagens geológicas, segurança jurídica e neutralidade geopolítica em um momento de crescente disputa global por minerais críticos, avalia Marc Fogassa, CEO da Atlas Critical Minerals.

Segundo ele, o país tem se destacado como destino de investimentos em um cenário marcado pela competição entre Estados Unidos e China por insumos estratégicos para a transição energética.

O Brasil é uma excelente jurisdição, com muito menos risco do que outras jurisdições, especialmente na África e até em alguns países da América Latina”, afirmou Fogassa, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (11).

Segundo ele, a postura brasileira de não alinhamento direto entre China e Estados Unidos, somada ao respeito à propriedade privada, ajuda a explicar o crescimento do interesse internacional pelas terras raras brasileiras.

Geologia favorável

Além do ambiente institucional, Fogassa atribui o avanço das pesquisas à própria riqueza geológica do país. “O Brasil é abençoado com diferentes tipos de geologia condizentes com a presença de terras raras”, disse.

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O executivo destacou que a própria Atlas possui projetos com características geológicas distintas em Minas Gerais e Goiás, evidenciando a diversidade de depósitos existentes no território nacional. Segundo ele, essa variedade amplia o potencial brasileiro para se tornar um dos principais polos globais de exploração desses minerais estratégicos.

Efeito do lítio

Na avaliação de Fogassa, o forte aumento do interesse por terras raras entre 2023 e 2024 foi consequência direta da explosão da demanda global por lítio observada anteriormente.

Segundo ele, os incentivos concedidos pelo governo dos Estados Unidos à indústria de veículos elétricos impulsionaram os preços do mineral. “O lítio subiu para US$ 8.000 a tonelada (R$ 41.440), um crescimento de 800 vezes em relação ao valor anterior”, afirmou.

Para o executivo, a valorização do lítio acabou estimulando investidores a buscarem outros minerais considerados críticos para a transição energética, como as terras raras, o grafite e o titânio.

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Desafio tecnológico

Apesar das reservas expressivas, Fogassa ressaltou que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para avançar nas etapas de processamento e refino das terras raras, setor atualmente dominado pela China.

A evolução que a China teve na tecnologia de processamento e refinamento demorou mais de 40 anos e consumiu bilhões de dólares”, afirmou. Segundo ele, a construção de uma cadeia produtiva semelhante não pode ser realizada em poucos anos e exige planejamento de longo prazo.

O executivo defendeu a criação de políticas fiscais de incentivo para estimular empresas privadas a desenvolverem gradualmente capacidades industriais mais sofisticadas. “Não existe uma solução única para todos os minerais críticos”, disse, ressaltando que terras raras, lítio, grafite e titânio possuem desafios tecnológicos distintos.

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Transferência limitada

Fogassa também afirmou que o acesso à tecnologia chinesa permanece restrito. Segundo ele, existe atualmente uma proibição de transferência de tecnologia de terras raras para países fora da China. “Há um transfer ban completo de transferência de tecnologia de terras raras para países fora da China”, afirmou.

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Diante desse cenário, o executivo acredita que outros países precisarão desenvolver suas próprias soluções tecnológicas. Segundo ele, laboratórios e empresas ao redor do mundo já trabalham em processos alternativos de concentração, purificação e refino desses minerais, mas os avanços dependerão de tempo, capital e investimentos contínuos.

Para Fogassa, o Brasil está bem posicionado para aproveitar o aumento da demanda global por minerais críticos, mas a transformação dessa vantagem geológica em uma indústria de maior valor agregado dependerá de estratégias de longo prazo e de um ambiente favorável aos investimentos.

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