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Saída de estrangeiros da Bolsa expõe preocupação do mercado com cenário fiscal brasileiro

Publicado 16/06/2026 • 12:43 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Investidores estrangeiros foram vendedores líquidos na Bolsa em maio pela primeira vez em 2026, após quatro meses consecutivos de compras.
  • Renda fixa registrou o primeiro mês de resgates líquidos do ano, mas segue liderando a preferência dos investidores.
  • Incertezas fiscais e proximidade das eleições pesam mais sobre o mercado brasileiro do que fatores externos, segundo análise.

A saída líquida de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira em maio e o primeiro resgate líquido do ano na renda fixa refletem uma readequação das carteiras, mas também evidenciam a crescente preocupação do mercado com o cenário fiscal brasileiro, avalia Guilherme Carter, economista, professor do Insper e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o economista, os dados mostram uma mudança importante no comportamento dos investidores, embora o quadro geral ainda seja mais favorável do que o observado em 2025.

“A gente viu uma readequação, provavelmente ligada a vencimentos, e tivemos o primeiro mês com venda líquida no agregado da renda fixa. Mas, mesmo assim, o acumulado do ano mostra aportes de R$ 118 bilhões, o que demonstra que a maior parte do mercado institucional continua comprada em renda fixa”, afirmou nesta terça-feira (16) durante participação na programação do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Carter destacou que outras classes de ativos, como ações e fundos multimercados, seguem pressionadas, mas apresentaram melhora em relação ao ano passado. “As ações e os multimercados ainda estão deprimidos, mas muito melhores do que em 2025. Talvez seja o fundo do poço. Vamos ver se não tem um alçapão embaixo”, brincou.

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Estrangeiros mudam de direção

O levantamento apresentado pelo economista mostra que os investidores estrangeiros foram os principais responsáveis pela valorização da Bolsa brasileira nos primeiros meses de 2026, mas inverteram o movimento em maio.

“Tivemos compras líquidas de R$ 23 bilhões em janeiro, R$ 15 bilhões em fevereiro, depois os valores foram diminuindo até que, em maio, vimos uma inversão completa. Os investidores estrangeiros saíram da Bolsa”, explicou.

Para Carter, a reversão está diretamente relacionada à combinação entre as incertezas fiscais domésticas e o aumento da aversão ao risco.

“Tem a guerra entrando no radar, mas principalmente o problema fiscal brasileiro. Não estamos vendo uma luz no fim do túnel. É um problema fácil de resolver tecnicamente, mas os políticos provavelmente não vão resolver nada neste ano”, afirmou.

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O economista ressaltou que a Bolsa apenas troca de mãos entre os investidores, mas a velocidade da mudança chamou atenção. “Foi uma troca abrupta. Quem entrou absorveu uma venda muito forte, e isso ajuda a explicar a correção da Bolsa após ter se aproximado dos 200 mil pontos neste ano”, disse.

Juros seguem no centro das atenções

Na avaliação de Carter, o principal fator de preocupação continua sendo o comportamento da curva de juros brasileira. “A curva de juros deixou de ser apenas uma variável de política monetária e virou um plebiscito eleitoral antecipado sobre o regime fiscal do país”, afirmou.

Ele observou que os juros longos permanecem em patamares elevados, entre 14% e 15%, refletindo a percepção de risco dos investidores. “O que vemos é um problema fiscal próprio. O fim da guerra e a queda do petróleo praticamente não alteraram a curva de juros brasileira. Isso mostra que a preocupação está muito mais dentro de casa do que no cenário externo”, ressaltou.

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Segundo o economista, a combinação de juros elevados e incertezas fiscais continua favorecendo a renda fixa. “O cenário é de juros altos por mais tempo, empresários sofrendo e a renda fixa ganhando. É isso que o mercado está precificando hoje”, afirmou.

Expectativa para o Copom

Questionado sobre a decisão de política monetária do Banco Central, Carter afirmou que o cenário mais prudente seria a manutenção da taxa básica de juros. “O mais prudente seria manter a taxa onde está. Pode até haver algum ajuste muito pequeno, mas não vejo espaço para uma queda tranquila dos juros neste momento”, disse.

Para ele, a sustentabilidade de uma trajetória de redução mais consistente dependerá de avanços nas contas públicas. “Se não tivermos uma conversa séria sobre reformas estruturais e controle da dívida, será muito difícil construir uma trajetória econômica mais favorável para o país nos próximos anos”, concluiu.

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