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Etanol verde? Veja por que a ANP quer mudar a aparência do combustível
Publicado 11/09/2026 • 20:30 | Atualizado há 54 minutos
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Publicado 11/09/2026 • 20:30 | Atualizado há 54 minutos
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Foto: unsplash
Etanol verde? Veja por que a ANP quer mudar a aparência do combustível
O etanol vendido nos postos brasileiros pode ganhar uma característica que hoje não faz parte do combustível: a cor verde. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) propôs a adição obrigatória de um corante ao etanol hidratado como forma de dificultar o desvio do produto para a fabricação clandestina de bebidas alcoólicas.
A mudança ainda não está valendo. A agência pretende revisar a regulamentação atual e prevê implementar o corante verde ainda em 2027, após um período de transição para que produtores, distribuidores e demais empresas do setor façam as adaptações necessárias.
A medida surgiu após casos de desvio de etanol combustível para a produção irregular de bebidas registrados no Brasil em 2025. Além disso, o estudo atende a uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU).
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A proposta da ANP prevê que as usinas adicionem o corante verde ao etanol hidratado. Com a mudança, o combustível passaria a ter uma característica visual que facilitaria sua identificação caso alguém o utilizasse na produção clandestina de bebidas.
A agência considera essa uma solução provisória. Para colocá-la em prática, será necessário revisar a Resolução ANP nº 907/2022. O processo inclui análise de impacto regulatório ou Nota Técnica de Regulação, consulta e audiência públicas e, posteriormente, deliberação da Diretoria Colegiada.
A proposta prevê ainda um prazo de transição após a publicação da norma revisora. A intenção é permitir a adaptação dos agentes econômicos e a implementação da medida ainda em 2027.
Por enquanto, a ANP não informou um valor adicional para o litro do combustível. Também não há indicação de que a mudança será exclusiva para determinados veículos ou modelos. O estudo trata do etanol hidratado, combustível, de forma geral.
A alteração não cria um novo tipo de etanol destinado a modelos específicos de veículos. Além disso, a proposta modifica uma característica do combustível comercializado nos postos para dificultar seu uso ilegal.
Por isso, não há uma lista de carros que passarão a utilizar o chamado “etanol verde”. O combustível continuará sendo o etanol hidratado destinado ao abastecimento, caso a regulamentação avance.
A própria ANP define o etanol hidratado como o combustível acabado comercializado em todo o país. Já o etanol anidro tem outra finalidade: ele é utilizado na mistura que forma a gasolina C.
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Siga o Times | CNBCA solução considerada definitiva pela ANP é diferente. A agência propõe adicionar benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível. A substância tem sabor extremamente amargo e já aparece em produtos de higiene e limpeza que contêm etanol. Nesses produtos, ela ajuda a diferenciá-los de bebidas alcoólicas e a evitar a ingestão acidental.
No combustível, a intenção seria semelhante. Se o etanol fosse desviado para uma bebida clandestina, o sabor amargo poderia alertar o consumidor sobre a presença do combustível.
Entretanto, essa alternativa ainda não pode chegar aos postos. A ANP afirma que não existem precedentes do uso do benzoato de denatônio em etanol destinado à aplicação em motores. Por isso, a agência precisa realizar testes mecânicos antes de adotar a medida.
Os estudos devem verificar se a substância provoca efeitos adversos relevantes nos componentes dos veículos ou nas emissões. Como essa avaliação ainda precisa ocorrer, a ANP não estabeleceu prazo para a adoção da solução definitiva.
A proposta faz parte de um estudo elaborado pela ANP para impedir que o etanol hidratado combustível seja desviado para a fabricação clandestina de bebidas. A iniciativa atende à Resolução CNPE nº 6, de 2026, elaborada após os casos registrados no país em 2025.
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O trabalho também responde ao Acórdão 1790/2026 do TCU, resultado de uma auditoria sobre prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos dessa prática para a saúde da população.
Para desenvolver as alternativas, a ANP ouviu produtores de etanol, distribuidores, fornecedores de corantes, empresas de inspeção da qualidade, representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e integrantes da Câmara Setorial da Cachaça.
A agência também realizou testes físico-químicos em seu Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas e avaliou outros estudos antes de concluir o relatório. Assim, a mudança mais próxima é a do corante verde, com implementação prevista para 2027. Já o etanol com benzoato de denatônio ainda depende de testes e não tem data definida para chegar aos postos.
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