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Fim da escala 6×1: economista aponta dois serviços que podem ter aumento de preço

Publicado 14/10/2026 • 15:22 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • O transporte aéreo pode ter custos maiores com o fim da escala 6x1, já que 53% dos trabalhadores do setor cumprem esse modelo.
  • No setor de alimentação, a mudança pode elevar despesas e estimular a informalidade, com mais contratações por conta própria e pejotização.
  • A proposta prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Segundo o economista Bruno Imaizumi, o Brasil precisaria elevar a produtividade em 1,4%.
Fim da escala 6x1: economista aponta dois serviços que podem ter aumento de preço

Foto: Unsplash

Fim da escala 6x1: economista aponta dois serviços que podem ter aumento de preço

As passagens aéreas e os serviços de alimentação podem ficar mais caros com o fim da escala 6×1 no Brasil. A mudança pode elevar os custos das empresas que precisam manter equipes disponíveis ao longo da semana, principalmente se houver necessidade de contratar mais funcionários para compensar a redução da jornada.

O alerta é do economista Bruno Imaizumi, da For Intelligence, especialista em mercado de trabalho. Em entrevista ao programa Real Time nesta quarta-feira (14), ele avaliou os possíveis impactos da proposta sobre os preços, as contratações e a informalidade.

Leia também: Fim da escala 6×1 pode encarecer produtos e aumentar informalidade, avalia economista

Passagens aéreas podem sofrer pressão nos preços

O transporte aéreo está entre os setores que podem enfrentar dificuldades para adaptar suas operações. Segundo Imaizumi, 53% dos trabalhadores dessa atividade cumprem atualmente a escala 6×1.

Como as companhias precisam manter suas operações em diferentes horários e dias da semana, a redução da jornada pode exigir uma reorganização das equipes. Dependendo da estrutura de cada empresa, também poderá ser necessário contratar mais profissionais.

Nesse cenário, o aumento das despesas com mão de obra pode pressionar os custos das companhias aéreas e abrir espaço para reajustes nas passagens. No entanto, o economista não apresentou uma estimativa de aumento, e o impacto dependerá das medidas adotadas pelas empresas.

Alimentação enfrenta risco de informalidade

Os serviços de alimentação também podem sentir os efeitos da mudança. De acordo com Imaizumi, pouco mais da metade dos trabalhadores desse segmento segue a escala 6×1.

Para estabelecimentos que precisam manter o atendimento durante longos períodos, adaptar os horários pode aumentar as despesas operacionais. Além disso, o economista aponta o risco de algumas empresas recorrerem a formas de contratação menos protegidas pela legislação trabalhista.

Leia também: Senado vota proposta que prevê fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais

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Entre as possibilidades estão o trabalho por conta própria e a pejotização, modelo em que o profissional presta serviços como pessoa jurídica, em vez de trabalhar com carteira assinada. Esse movimento pode ampliar a informalidade no setor. Entretanto, não significa que todas as empresas adotarão essas alternativas, já que os efeitos dependerão das condições de cada negócio.

Proposta prevê redução da escala para 40 horas semanais

A proposta em discussão prevê reduzir gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuir os salários, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana.

Segundo Imaizumi, aproximadamente 15 milhões de trabalhadores formais cumprem atualmente a escala 6×1. O número representa cerca de 30% dos 50 milhões de trabalhadores formais do país. Os impactos, porém, podem variar conforme a atividade econômica e a capacidade das empresas de reorganizar suas equipes.

Produtividade será decisiva para o fim da escala 6×1

Na avaliação do economista, o Brasil precisaria elevar a produtividade em aproximadamente 1,4% para evitar prejuízos ao crescimento econômico com a redução da jornada.

Leia também: DECISÃO 2026: Flávio muda posição e anuncia voto pelo fim da escala 6×1; Lula atribui virada do rival à pressão popular – veja o dia dos candidatos ao Planalto

O indicador mede a eficiência na produção de bens e serviços e pode melhorar com investimentos em tecnologia, qualificação profissional e infraestrutura. Por outro lado, o aumento do tempo de descanso também pode beneficiar as empresas. A medida pode contribuir para reduzir faltas e a rotatividade de funcionários, diminuindo gastos com contratações e treinamento.

Assim, os possíveis impactos do fim da escala 6×1 sobre os preços das passagens aéreas e dos serviços de alimentação dependerão dos custos de adaptação e dos ganhos de eficiência de cada empresa. A avaliação aponta riscos para os preços e para a formalização do trabalho, mas não prevê aumento generalizado de preços ou desemprego inevitável.

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