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Operações da PF

Quem é Carlos Piani, citado em representação sobre Sabesp, EMAE e Banco Master

Publicado 21/05/2026 • 11:45 | Atualizado há 21 minutos

KEY POINTS

  • Entre os pontos levantados está a atuação simultânea de Piani em diferentes companhias ao longo das negociações.
  • Também aparece na representação o nome de Fabiano Zettel, apontado como colaborador do Grupo Master.
  • A apuração busca esclarecer se houve uso de estruturas financeiras e societárias para beneficiar grupos privados.

Foto: reprodução/AgênciaSP

Quem é Carlos Piani, citado em representação sobre Sabesp, EMAE e Banco Master

O nome de Carlos Piani passou a ocupar posição central em uma representação analisada pelo Ministério Público de São Paulo, que investiga possíveis conexões entre o Banco Master, a privatização da Sabesp e a compra da EMAE.

O documento, apresentado em março de 2026 pelo deputado estadual Antônio Donato (PT-SP), aponta que o executivo ocupou cargos estratégicos em empresas envolvidas direta ou indiretamente nas operações realizadas entre 2024 e 2025.

A investigação preliminar conduzida pela Promotoria de Patrimônio Público busca entender se houve favorecimento empresarial, manipulação financeira ou conflito de interesses em processos ligados às privatizações conduzidas pelo governo paulista.

Entre os pontos levantados está a atuação simultânea de Piani em diferentes companhias ao longo das negociações.

Quem é Carlos Piani?

Carlos Piani é o atual presidente da Sabesp e sócio fundador da HPX Capital Partners. Com trajetória ligada aos setores de energia, investimentos e gestão corporativa, ele acumula mais de duas décadas de experiência em cargos executivos e conselhos de grandes empresas brasileiras e internacionais.

Formado em Administração pelo IBMEC-RJ e em Processamento de Dados pela PUC-RJ, possui certificação CFA e formação executiva pela Harvard Business School.

De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, antes de assumir a Sabesp, foi presidente do Conselho de Administração da Equatorial Energia e conselheiro da Vibra Energia.

Também atuou como presidente e diretor financeiro da própria Equatorial entre 2004 e 2010. No mercado financeiro, foi sócio da Vinci Partners e trabalhou na área de fusões e aquisições do antigo Banco Pactual.

No exterior, liderou iniciativas estratégicas globais da Kraft Heinz e presidiu a operação da companhia no Canadá.

Trânsito entre Ambipar, Equatorial e Sabesp

Segundo a representação, Carlos Piani presidiu o Conselho de Administração da Ambipar entre março de 2023 e setembro de 2024.

O período coincide com a forte valorização das ações da empresa, que chegaram a subir mais de 800% e foram usadas como garantia financeira pelo Fundo Phoenix no leilão da EMAE.

O executivo também ocupou a presidência do Conselho da Equatorial Energia entre junho e julho de 2024. Foi justamente nesse intervalo que ocorreu a privatização da Sabesp, vencida pela Equatorial, única concorrente no processo de aquisição do bloco de controle da companhia paulista de saneamento.

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Meses depois, em outubro de 2024, Piani assumiu a presidência da Sabesp já privatizada. Para os autores da representação, a sequência de cargos em empresas conectadas às operações levanta questionamentos sobre a proximidade entre os grupos empresariais envolvidos.

Compra da EMAE ampliou questionamentos

Outro ponto citado no documento envolve a aquisição da EMAE pela Sabesp em outubro de 2025. A estatal de energia havia sido arrematada anteriormente pelo Fundo Phoenix em um leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo.

A representação afirma que o fundo foi criado menos de 30 dias antes do certame e utilizou ações da Ambipar como principal lastro patrimonial.

Essas ações, segundo investigação já concluída pela Comissão de Valores Mobiliários, teriam passado por um processo de valorização artificial após operações envolvendo fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag.

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Com a posterior compra da EMAE pela Sabesp, o documento sustenta que o ativo retornou ao ambiente societário ligado ao mesmo núcleo empresarial que participou da estruturação financeira da operação anterior.

Banco Master aparece como peça central

A representação enviada ao Ministério Público descreve o Banco Master como um dos articuladores financeiros das operações relacionadas à EMAE.

Segundo o texto, a instituição teria participado da estruturação de grupos empresariais interessados nas privatizações por meio de debêntures, fundos de investimento e operações cruzadas.

O documento cita ainda o empresário Nelson Tanure, o fundador da Ambipar Tércio Borlenghi Junior e a Trustee DTVM como participantes da estrutura que viabilizou a compra da EMAE.

Também aparece na representação o nome de Fabiano Zettel, apontado como colaborador do Grupo Master e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o texto, ele teria atuado na articulação política da operação.

Privatização da Sabesp é alvo de críticas

A venda do controle da Sabesp ocorreu em julho de 2024. Na ocasião, o governo paulista negociou ações da companhia por R$ 67 cada, apesar de os papéis serem negociados acima de R$ 82 no mercado.

Entidades ligadas ao setor de saneamento afirmaram que o deságio aplicado representava um desconto de cerca de 44% em relação ao valor de mercado da empresa. A operação movimentou aproximadamente R$ 6,9 bilhões.

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A representação também questiona a ausência de concorrência efetiva no leilão e levanta suspeitas sobre a atuação de instituições financeiras responsáveis pela coordenação da oferta pública de ações.

O caso está sob análise da Promotoria de Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo. O órgão avalia se a representação possui relação com outro procedimento já em andamento na 5ª Promotoria.

O pedido feito pelo deputado inclui abertura de inquérito civil, investigação sobre possível improbidade administrativa e compartilhamento de informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, caso surjam indícios de crimes de competência federal.

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Procurada, a Equatorial Energia afirmou que o processo de desestatização da Sabesp ocorreu dentro da legalidade, com ampla transparência e apoio de instituições especializadas.

A apuração busca esclarecer se houve uso de estruturas financeiras e societárias para beneficiar grupos privados durante os processos de privatização ligados ao Banco Master.

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