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STF: entenda a crise em 5 principais pontos
Publicado 14/09/2026 • 05:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/09/2026 • 05:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Flickr
Supremo Tribunal Federal.
A crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) se agravou a partir de 1º de setembro, após a divulgação de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso Banco Master.
O episódio levou a questionamentos sobre a atuação de ministros da Corte, provocou decisões divergentes sobre a Polícia Federal e fez o presidente do Supremo, Edson Fachin, concentrar parte das controvérsias na Presidência do tribunal.
Em nove dias, o conflito deixou de estar restrito às investigações sobre o banco e passou a envolver diretamente Alexandre de Moraes, André Mendonça, Fachin e integrantes da cúpula da Polícia Federal.
A disputa também reacendeu o debate sobre decisões individuais de ministros e sobre a necessidade de levar os principais pontos do caso ao plenário.
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O primeiro momento de tensão ocorreu em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
O documento reunia informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco, incluindo mensagens envolvendo um número atribuído a Alexandre de Moraes.
O relatório também fazia referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Após a divulgação do material, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. A PGR argumentou que medidas envolvendo autoridades com foro no Supremo não poderiam ser tomadas daquela maneira por decisão individual do relator.
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A divulgação do documento colocou a atuação de ministros do STF no centro das investigações e abriu uma nova frente de tensão dentro da Corte.
No dia 2 de setembro, outro episódio passou a fazer parte da crise. Uma reportagem revelou que André Mendonça havia se encontrado com Daniel Vorcaro em março de 2025.
Mendonça confirmou a reunião e afirmou que o encontro ocorreu uma única vez, teve caráter institucional e não tratou das investigações nem de decisões judiciais envolvendo créditos ou interesses do Banco Master.
A revelação levou o ministro a defender sua imparcialidade na condução do caso. Na mesma data, Fachin afirmou que acompanhava a situação e que eventuais medidas seriam tomadas dentro dos instrumentos constitucionais disponíveis.
O episódio aumentou a pressão sobre a condução das investigações justamente quando a relação entre os ministros começava a se deteriorar.
A crise ganhou uma dimensão interna mais evidente em 3 de setembro, quando Alexandre de Moraes reagiu à condução do caso e determinou uma apuração sobre a atuação do gabinete de Mendonça.
A medida envolvia possíveis irregularidades relacionadas à divulgação e ao tratamento de informações produzidas pela Polícia Federal. Mendonça procurou Fachin e questionou a iniciativa do colega.
Com os dois ministros em posições opostas, o presidente do Supremo passou a exercer um papel central na tentativa de conter o conflito. Fachin estabeleceu prazo para manifestações dos envolvidos, além da PGR e da Polícia Federal.
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Mendonça também anunciou sua saída da sociedade do Instituto Iter, local onde havia se reunido com Vorcaro, depois dos questionamentos envolvendo contratos públicos firmados pela entidade.
Em 4 de setembro, Fachin decidiu retirar do inquérito das fake news o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça. A apuração passou a tramitar separadamente e sob acompanhamento da Presidência do Supremo.
No mesmo dia, durante um evento no Palácio do Planalto, Fachin defendeu uma solução institucional para o conflito. O presidente do STF também mencionou a necessidade de encerrar o inquérito das fake news, aberto em 2019, e de avançar na criação de um código de ética para os integrantes da Corte.
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Siga o Times | CNBCDois dias depois, em 6 de setembro, Mendonça liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
A medida abriu caminho para que Fachin definisse a análise do assunto pelo plenário, deslocando parte da disputa entre gabinetes para uma decisão do conjunto dos ministros.
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Em 8 de setembro, a crise atingiu diretamente a cúpula da Polícia Federal. André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
A decisão foi baseada em suspeitas relacionadas a monitoramento e produção de relatórios de forma irregular. A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a medida, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Gilmar Mendes.
No dia seguinte, Flávio Dino atendeu a um recurso apresentado por Andrei Rodrigues e determinou seu retorno imediato ao comando da Polícia Federal. Também reverteu o afastamento de Leandro Almada e restringiu novas medidas cautelares semelhantes até que o plenário pudesse analisar o caso.
A existência de decisões opostas aprofundou o impasse. Ainda em 9 de setembro, Fachin suspendeu os efeitos das determinações de Mendonça e Dino e concentrou na Presidência do STF o exame das principais questões relacionadas ao conflito.
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Fachin também retirou de Moraes parte da relatoria do inquérito das fake news e assumiu procedimentos que ainda não tinham decisão definitiva. Ao mesmo tempo, limitou a atuação de Mendonça em trechos da investigação do Banco Master relacionados à controvérsia entre os ministros.
A tensão também provocou uma manifestação de 13 ministros aposentados do Supremo. O grupo declarou apoio a Fachin e pediu que o presidente da Corte convocasse, com urgência, uma sessão pública do plenário para discutir uma apuração rigorosa dos fatos que deram origem à crise.
Os signatários afirmaram ter confiança na condução de Fachin e apontaram preocupação com os possíveis efeitos das revelações recentes sobre o prestígio e a autoridade do Supremo, a confiança da população e a estabilidade institucional.
Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte há poucos meses, decidiu não assinar o documento. Segundo ele, a escolha está relacionada à tentativa de manter o diálogo com os diferentes ministros.
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Barroso afirmou que mantém contato com integrantes do tribunal e que busca contribuir internamente para encontrar uma solução. Também manifestou apoio a Fachin e destacou a integridade e o equilíbrio do atual presidente do STF. Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello também não aparecem entre os signatários do manifesto.
Depois de nove dias de tensão, a crise passou a envolver não apenas o conteúdo das investigações do Banco Master, mas também a relação entre ministros, a condução de procedimentos dentro do STF e a atuação da Polícia Federal.
A tentativa de Fachin é concentrar os principais pontos no colegiado e reduzir a disputa entre decisões individuais. O presidente do Supremo marcou para 15 de setembro a análise pelo plenário da validade do relatório da PF e dos elementos relacionados a uma eventual investigação sobre Alexandre de Moraes. A sessão deverá definir os próximos passos das apurações e o caminho institucional para o conflito dentro da Corte.
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Além da crise ligada ao Banco Master, o STF também passou a concentrar outra investigação de grande repercussão. Em 10 de setembro, Flávio Dino determinou o fim do sigilo da decisão que autorizou a Operação Make Up, da Polícia Federal, que apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e possível uso de dinheiro público no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
O deputado Mario Frias e outros 28 investigados foram proibidos de deixar o país sem autorização do STF. A operação também resultou na apreensão de armas de fogo, veículos de luxo, documentos e equipamentos eletrônicos.
A investigação analisa ainda duas emendas parlamentares de autoria de Frias, que somam R$ 2 milhões e foram destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. Segundo a apuração apresentada na decisão, a PF investiga possíveis conexões entre recursos públicos, empresas e pessoas ligadas aos investigados.
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O novo caso amplia a quantidade de frentes sob análise do STF justamente enquanto a Corte enfrenta uma das mais graves disputas internas descritas nos últimos dias.
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