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Subsídios aos combustíveis têm efeito limitado e podem pressionar contas públicas; entenda
Publicado 26/05/2026 • 11:36 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 26/05/2026 • 11:36 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O pacote de subsídios adotado pelo governo para tentar conter a disparada dos combustíveis tem produzido um efeito reduzido sobre os preços finais ao consumidor, afirmou o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, em entrevista nesta terça-feira (26) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, apesar da ampla lista de benefícios concedidos ao diesel, gasolina e aviação, o impacto percebido nas bombas continua limitado, enquanto os custos fiscais aumentam.
Para o executivo, as medidas anunciadas nos últimos meses estão mais ligadas a um contexto político e eleitoral do que a uma estratégia energética sustentável. “Todo esse pacote de bondade que foi colocado no diesel, em especial, não traduziu em efeitos práticos de redução de preço”, afirmou.
Martinho destacou que, no início da guerra no Oriente Médio, o preço médio do diesel no Brasil saiu de R$ 6,16 para R$ 7,68, antes de recuar para cerca de R$ 7,16 após os incentivos federais. Ainda assim, segundo ele, o consumidor continua pagando aproximadamente R$ 1 a mais por litro em relação ao período anterior à escalada do conflito.
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O executivo também questionou a decisão do governo de conceder uma subvenção de 44 centavos por litro na gasolina A, argumentando que o Brasil possui uma alternativa competitiva nos combustíveis renováveis. Segundo ele, a produção recorde de etanol e a queda nos preços do biocombustível tornam desnecessário o incentivo à gasolina fóssil.
“Hoje a gente já tem em São Paulo etanol com paridade de 61%, em algumas cidades com 55%, o que torna muito atrativo o mercado brasileiro com abastecimento de energia renovável”, disse. Ele acrescentou que o etanol poderia ser mais valorizado dentro da política energética nacional, especialmente em um país com ampla frota flex-fuel.
Martinho afirmou ainda que o impacto real da subvenção da gasolina tende a ser menor do que o anunciado oficialmente, já que o combustível vendido no Brasil possui mistura de etanol. Na avaliação dele, a redução efetiva na bomba pode ficar próxima de 30 centavos, além de sofrer influência limitada devido à prática de preços internacionais também por refinarias privadas instaladas no país.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto de preocupação citado pelo CEO da SCA Brasil é o custo fiscal crescente das medidas emergenciais adotadas pelo governo. Segundo ele, somente a subvenção da gasolina deve custar cerca de R$ 2,2 bilhões em dois meses, além dos recursos destinados ao diesel e das perdas arrecadatórias relacionadas ao ICMS.
Na visão do executivo, o governo terá dificuldade para sustentar esses programas caso os preços internacionais do petróleo permaneçam elevados por um período prolongado. Ele argumenta que a destruição de refinarias no Oriente Médio e os riscos geopolíticos envolvendo o Estreito de Ormuz podem manter os derivados pressionados por mais tempo.
“O governo não vai poder sustentar por muito tempo esses benefícios”, afirmou. Segundo Martinho, após o período eleitoral, a tendência é de retirada gradual das subvenções, com retorno dos preços ao patamar real de mercado.
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Para o executivo, os impactos inflacionários do choque do petróleo já começaram a aparecer nas projeções econômicas. Ele citou o avanço das expectativas de inflação nas pesquisas de mercado e afirmou que o cenário atual já está incorporado aos preços da economia.
Apesar disso, Martinho defendeu que o Brasil aproveite sua vantagem competitiva em biocombustíveis em vez de ampliar subsídios aos combustíveis fósseis. Segundo ele, o país possui capacidade agrícola e energética capaz de fortalecer uma matriz mais limpa e menos dependente das oscilações internacionais do petróleo.
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“Estamos dando muito subsídio para um combustível fóssil em detrimento de toda uma política energética limpa que nós produzimos no país”, afirmou. Para ele, ampliar o uso de biodiesel e etanol seria uma alternativa mais sustentável tanto para a economia quanto para o meio ambiente.
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