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Braskem: quem são os donos da petroquímica que tenta reestruturar R$ 54 bilhões em dívidas
Publicado 29/08/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/08/2026 • 17:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Reprodução/Braskem
Ministério Público recomenda congelar aporte de mais de US$ 400 milhões da Braskem em subsidiária no México.
A Braskem entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo na segunda-feira (24), em meio à necessidade de reorganizar cerca de R$ 54 bilhões em dívidas.
A medida foi adotada depois de meses de negociações com credores e busca criar um ambiente de proteção para que a companhia consiga estruturar uma proposta de reestruturação financeira.
Por trás desse processo está uma mudança importante no comando da petroquímica, que passou a ter a gestora IG4 Capital e a Petrobras como controladoras conjuntas.
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A nova composição acionária foi definida em junho, após a transferência das ações que pertenciam à Novonor para o fundo Shine I, ligado à IG4. Com a operação, a gestora passou a dividir o controle da Braskem com a Petrobras, que mantém participação relevante na companhia.
A Braskem nasceu em 2002 a partir da integração de empresas dos grupos Novonor, antiga Odebrecht, e Mariani. Durante anos, a Novonor foi a principal acionista privada da companhia, enquanto a Petrobras manteve uma participação estratégica.
Esse cenário mudou em 2026. A Novonor, que enfrenta seu próprio processo de recuperação judicial, transferiu sua participação para o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital. O novo acordo de acionistas estabeleceu o controle conjunto entre a IG4 e a Petrobras.
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A Petrobras mantém 36,15% do capital total da Braskem e 47,03% das ações com direito a voto. O acordo firmado com o fundo ligado à IG4 passou a estabelecer decisões conjuntas e representação equilibrada nos órgãos de governança da petroquímica.
A IG4 Capital é uma gestora de investimentos especializada em situações que envolvem empresas com desafios financeiros e operacionais. A entrada na Braskem representa uma mudança relevante na estrutura de controle da companhia e coloca uma gestora com experiência em reestruturações no centro das decisões sobre o futuro da petroquímica.
Em junho, a própria Braskem anunciou a nova fase de governança e destacou a combinação entre a experiência da IG4 em reestruturação de ativos complexos e a atuação técnica e industrial da Petrobras.
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O fundo Shine I passou a ter papel central na estrutura acionária da companhia depois da transferência das ações da Novonor. A operação encerrou um longo período em que a antiga controladora buscava uma saída para sua participação na petroquímica.
A Petrobras permanece como uma das principais forças dentro da Braskem. A estatal possui participação expressiva nas ações com direito a voto e passou a exercer o controle conjunto da companhia com a IG4.
Para a Petrobras, a Braskem tem importância estratégica porque a petroquímica está integrada à cadeia de petróleo, gás e produtos químicos no Brasil. A empresa produz resinas utilizadas por diferentes setores da indústria e mantém operações no Brasil e no exterior.
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Com a nova estrutura, a estatal passou a ter uma participação mais ativa na governança da Braskem. A companhia também indicou Hélcio Tokeshi para assumir a presidência executiva em junho.
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Siga o Times | CNBCA crise financeira da Braskem não surgiu de um único problema. A companhia enfrenta um período prolongado de dificuldades no setor petroquímico, marcado por margens pressionadas e concorrência internacional.
A empresa também carrega obrigações relacionadas ao caso de Maceió, em Alagoas, além de compromissos financeiros elevados em diferentes mercados.
O resultado foi uma forte pressão sobre o caixa. Antes do pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem já havia recorrido à Justiça para obter proteção temporária contra determinadas cobranças e execuções enquanto tentava chegar a um acordo com os credores.
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O pedido apresentado pela Braskem tem foco financeiro. A companhia busca negociar as condições de sua dívida com os credores sem interromper suas atividades industriais.
A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com grupos de credores e posteriormente submeta o plano à homologação judicial. O objetivo é criar condições para reorganizar os pagamentos e preservar a operação durante o processo.
A Braskem afirma que suas obrigações com fornecedores, clientes e outros públicos permanecem vigentes e continuam sendo cumpridas normalmente.
A dívida envolve principalmente títulos emitidos no mercado internacional e outros compromissos financeiros. Entre os credores estão instituições financeiras e investidores que possuem papéis da companhia.
Levantamentos publicados após o pedido mostram que uma parcela significativa da dívida está concentrada no exterior. Entre os maiores credores aparecem o Bank of New York Mellon e grupos de investidores detentores de títulos internacionais.
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Bancos brasileiros também aparecem no histórico das negociações, entre eles Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Parte desses créditos, porém, passou por mudanças de titularidade durante a reorganização financeira da companhia.
A Braskem terá um período de proteção para avançar nas negociações e estruturar o plano de reestruturação. A companhia precisa conquistar apoio suficiente entre os credores para que a proposta possa avançar.
Entre as alternativas discutidas estão novos financiamentos, aportes de capital e operações envolvendo ativos da companhia como garantia. Também existe a possibilidade de mudanças na estrutura da dívida para aliviar os vencimentos mais próximos.
O desafio para a nova dupla de controladores é encontrar uma solução que reduza a pressão sobre o caixa sem comprometer a operação da petroquímica.
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A recuperação extrajudicial, portanto, representa mais do que uma tentativa de alongar pagamentos. Ela marca o primeiro grande teste da nova estrutura de controle formada por IG4 Capital e Petrobras justamente no momento em que a Braskem tenta reorganizar uma dívida que chega à casa dos R$ 54 bilhões.
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