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CEO da Retail Mind revela como multifranqueados aceleram expansão de grandes marcas no Brasil
Publicado 18/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/08/2026 • 21:15 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Os multifranqueados podem acelerar a expansão de grandes marcas para além do Sudeste e reduzir os riscos de uma abertura baseada exclusivamente em lojas próprias, segundo Manoela Whitaker, country manager da Retail Mind Group. A estratégia aposta em operadores que já possuem capital, estrutura e experiência para administrar várias unidades e ampliar a presença de uma rede em determinada região.
Em entrevista nesta terça-feira (18) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Whitaker afirmou que o franchising brasileiro alcançou uma escala que exige uma nova etapa de expansão. “A nossa proposta é criar grandes estruturas para crescer com qualidade e capacidade de execução”, explicou.
Segundo a executiva, características do próprio Brasil favorecem esse modelo. “Eu tenho um mercado consumidor enorme que é geograficamente disperso. Nós somos um continente. A gente tem uma forte cultura empreendedora também e temos cidades médias com capacidade de consumo suficiente para receber grandes marcas”, afirmou.
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O potencial das cidades médias contrasta, segundo Whitaker, com a dificuldade enfrentada por muitas empresas para chegar a esses mercados somente com capital próprio. “É onde muita empresa tem dificuldade de chegar exclusivamente por meio de lojas próprias. E aí que entram os multifranqueados”, destacou.
O modelo já está presente em grande parte do setor. Segundo dados citados pela executiva, 88% das franquias já possuem multifranqueados, enquanto o franchising movimentou mais de R$ 300 bilhões.
“Isso faz com que a franquia funcione como uma ferramenta de capilaridade. O franchising deixou apenas de ser um modelo de empreendedorismo e se tornou uma estratégia de expansão territorial de marcas”, afirmou.
Para Whitaker, porém, ampliar rapidamente o número de unidades não deve ser o único objetivo. “O negócio não é crescer desenfreadamente, é crescer com qualidade”, ressaltou.
É nesse ponto que entram os operadores de múltiplas unidades. “A Retail Mind aposta nos multifranqueados, que são operadores que já têm experiência de mercado, já têm estrutura e capital para administrar várias unidades”, explicou.
A estratégia também procura diminuir a concentração geográfica das redes. Segundo Whitaker, aproximadamente 45% das redes de franquias estão no Sudeste, enquanto outras regiões ainda apresentam espaço para expansão. “O nosso foco é levar essas grandes marcas para o Sul, para o Norte, para o Nordeste”, afirmou.
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A executiva explica que entrar em uma nova região com apenas uma unidade pode não justificar a estrutura necessária para a operação. “Quando eu vou para essas regiões, eu não posso abrir uma loja. Eu tenho grandes cidades, capitais e cidades de médio porte que comportam essas marcas, mas não faz sentido fazer uma expansão e abrir uma loja”, disse.
Nesse cenário, um único grupo pode assumir diversas unidades e desenvolver uma área inteira. “O multifranqueado faz muito esse papel. Ele vai dominar aquela área de influência”, destacou.
A escolha das empresas que podem participar desse processo envolve mais do que o potencial de reconhecimento da marca. Segundo Whitaker, a Retail Mind avalia também a estrutura de gestão e o suporte oferecido aos operadores.
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“A marca tem que ter essa capilaridade, tem que ter esse conhecimento nacional, tem que ter uma estrutura e dar muitas ferramentas para o investidor”, explicou.
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Siga o Times | CNBCA expansão sem suporte adequado, segundo ela, pode comprometer a operação. “Não adianta você abrir uma quantidade imensa de franquias sem ter uma gestão por trás”, alertou.
Entre as condições necessárias estão treinamento, marketing, governança e acompanhamento financeiro. “Você tem que dar treinamento, ter o marketing correto, passar a governança, ajudar no DRE, nessas contas, para que o seu franqueado possa lucrar tanto quanto você”, afirmou.
A empresa também trabalha no sentido inverso, procurando redes que possam ser conectadas a investidores já identificados. “A gente tem um banco de bons franqueados e vai atrás de marcas boas para franquear. A gente olha toda essa parte de gestão de uma marca”, explicou.
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Embora alimentação, serviços e microfranquias tenham forte presença histórica no setor brasileiro, a Retail Mind direciona sua estratégia principalmente para moda feminina e beleza.
“Hoje, o que a gente mais investe, os setores mais procurados, é muita moda feminina e beleza. É o que os grandes shoppings e centros comerciais procuram”, afirmou Whitaker.
A executiva reconhece a importância dos demais segmentos, mas explica que o foco da empresa é diferente. “Antes, o que você via nas franquias? Muita alimentação, muito serviço, microfranquias. Isso funciona? Funciona. Mas não é esse o case que a gente quer levar aqui para o Brasil”, disse.
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A proposta, acrescentou, está voltada a “marcas qualificadas de moda e beleza” com potencial para ampliar sua presença nacional.
O trabalho da Retail Mind também prevê uma seleção dos dois lados do negócio. A empresa avalia tanto as redes interessadas em crescer quanto os potenciais operadores das unidades.
“A gente escolhe as marcas e os franqueados”, afirmou Whitaker. Segundo ela, encontrar operadores realmente preparados é um dos desafios da expansão: “Hoje você tem vários franqueados, mas bons franqueados não é tão fácil assim”.
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A seleção também considera a compatibilidade entre as empresas e a estratégia da Retail Mind. “Às vezes as marcas não condizem com os nossos valores, então a gente não aceita. A gente faz esses dois lados, essa qualificação e esse match entre franquia e franqueado”, explicou.
O trabalho pode chegar até a definição do local de abertura da unidade. “Às vezes a franquia fala: ‘Eu quero que você me indique qual é a melhor cidade para eu estar no Nordeste, qual é o melhor shopping e qual o melhor ponto do shopping’”, exemplificou.
Para Whitaker, essa análise ganha importância justamente porque muitas marcas baseadas no Sudeste querem alcançar outras regiões, mas não dispõem de recursos ou estrutura operacional para fazer isso diretamente.
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“Eu preciso estar em todas as regiões do país, mas não tenho às vezes o capex para isso, não tenho investimento nem operação. Então, preciso de boas empresas, bons franqueados”, afirmou. Por isso, concluiu, “a gente está muito de olho em Norte, Nordeste e Sul”.
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