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Por André Amadeus
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Publicado 21/05/2026 • 08:34 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Saques indevidos ou mudança de versão? Entenda a explicação da Naskar para o sumiço de dinheiro
Após quase duas semanas em silêncio, a empresa Naskar apresentou no último domingo (17) uma nova explicação para a interrupção dos pagamentos a investidores e o desaparecimento de recursos que podem chegar a R$ 1 bilhão.
Em respostas enviadas ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a fintech abandonou a versão inicial de “perda na base de dados” e passou a atribuir a crise a supostos saques indevidos feitos por clientes.
Segundo a empresa, uma auditoria interna identificou retiradas irregulares que somariam cerca de R$ 67 milhões.
A Naskar afirma que investidores conseguiram sacar valores acima do saldo que possuíam, inclusive em casos de contratos já encerrados. A companhia diz que o levantamento ainda está em andamento e que os números podem mudar.
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A nova narrativa surge no momento em que investidores pressionam a empresa na Justiça e tentam entender o destino do dinheiro aplicado.
Desde o início de maio, cerca de 3 mil clientes relatam dificuldade para acessar contas, ausência de pagamentos e falta de respostas dos controladores do grupo.
A explicação apresentada agora contrasta com a versão divulgada pela própria empresa dias após o colapso. Em 7 de maio, a Naskar informou aos clientes que enfrentava uma “perda na base de dados” e prometeu um posicionamento oficial na semana seguinte. O comunicado nunca foi divulgado.
Agora, a fintech afirma que o problema não foi tecnológico, mas financeiro. A empresa sustenta que as inconsistências encontradas nos saques comprometeram o fluxo de pagamentos e contribuíram para a retirada do aplicativo do ar.
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Apesar da mudança de discurso, a companhia não apresentou documentos, relatórios de auditoria independente ou detalhes técnicos que comprovem a nova versão. Também não informou quem conduz a investigação interna nem explicou de que forma os saques teriam ocorrido.
A Naskar relacionou a auditoria à carta enviada aos clientes no início de maio. No documento, os investidores eram orientados a apresentar dados pessoais e comprovantes em até dez dias.
A correspondência também continha uma cláusula afirmando que o envio das informações não representaria reconhecimento automático de dívida por parte da empresa.
Especialistas ouvidos pelo mercado interpretaram a medida como uma estratégia jurídica para reorganizar os passivos da fintech diante da avalanche de cobranças judiciais.
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A empresa não respondeu se pretende acionar autoridades policiais ou apresentar representação criminal contra clientes suspeitos de realizar os supostos saques indevidos.
Outro ponto que gerou dúvidas envolve o paradeiro dos recursos dos investidores. A Naskar declarou que os valores estariam custodiados em ações dentro de uma corretora de valores.
A companhia, porém, não revelou qual instituição financeira mantém essa custódia nem apresentou extratos ou comprovantes.
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A informação difere da estrutura operacional divulgada anteriormente pela própria empresa. Até então, os aportes eram processados pela 7Trust Finance e ligados à CelCoin.
A fintech também tentou reduzir as estimativas sobre o tamanho do prejuízo. Enquanto ações judiciais e relatos de investidores apontam um rombo entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão, a empresa afirma que a auditoria interna indica um volume inferior a R$ 400 milhões.
Mesmo assim, a companhia admite que os números ainda não foram concluídos. As explicações da empresa também alcançaram as mudanças societárias feitas semanas antes da crise.
A Naskar confirmou alterações internas, retirada de atividades financeiras do cadastro empresarial e a criação das empresas Voga e Spy.
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Segundo a companhia, as medidas fizeram parte de uma reorganização administrativa ligada à possível venda do grupo para uma gestora americana.
A empresa afirma que os sócios Marcelo Liranço Arantes e José Maurício Volpato abririam as novas estruturas para atuar como consultores após a negociação. A suposta venda, porém, ainda não foi comprovada publicamente.
Pela primeira vez, a Naskar confirmou oficialmente o vínculo comercial com a Hagar Gestão Financeira, que opera na antiga sede da fintech na Vila Olímpia, em São Paulo.
A empresa informou que a Hagar atua como representante comercial do grupo e ocupa o endereço dentro de uma estratégia de planejamento comercial.
Até então, a relação entre as duas empresas era tratada apenas nos bastidores e não havia sido admitida formalmente.
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Enquanto tenta reorganizar sua versão dos fatos, a Naskar continua sem esclarecer o principal ponto da crise que é onde está o dinheiro dos investidores e quando os clientes terão acesso aos recursos prometidos.
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