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China mira tecnologia “nível de Jesus” de Elon Musk com nova política para chips cerebrais

Publicado 14/08/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Empresas estatais e instituições médicas anunciaram iniciativas voltadas ao setor, incluindo a primeira apólice comercial do país para cobrir cirurgias invasivas de implantes cerebrais.
  • Com a atuação da PICC Property and Casualty, seguradora estatal chinesa, em parceria com um hospital ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang.
  • O objetivo é criar condições para que uma tecnologia ainda concentrada em pesquisas e ensaios clínicos avance para aplicações comerciais.

Foto: Pixabay

China mira tecnologia “nível de Jesus” de Elon Musk com nova política para chips cerebrais

A China deu um novo passo para acelerar o desenvolvimento das interfaces cérebro-computador, tecnologia que permite transformar sinais do cérebro em comandos para dispositivos eletrônicos.

Nesta semana, autoridades, empresas estatais e instituições médicas anunciaram iniciativas voltadas ao setor, incluindo a primeira apólice comercial do país para cobrir cirurgias invasivas de implantes cerebrais.

O movimento ocorre em Hangzhou, na província de Zhejiang, e reforça a estratégia chinesa de ampliar o uso médico da tecnologia e disputar a liderança de um mercado defendido por Elon Musk como uma das grandes fronteiras da medicina.

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De acordo com o The Times of India, a iniciativa ganhou força com a atuação da Property and Casualty (PICC ), seguradora estatal chinesa, em parceria com um hospital ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang. A cobertura foi criada para pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico necessário para a implantação de dispositivos de interface cérebro-computador.

China amplia apoio à tecnologia

A nova política faz parte de uma sequência de medidas anunciadas na China nos últimos dias. Além do setor de seguros, bancos de investimento e governos locais passaram a demonstrar maior interesse no financiamento de empresas que trabalham com interfaces cérebro-computador.

Em Zhejiang, autoridades também anunciaram planos para ampliar o apoio financeiro às companhias do setor e estimular novas listagens no mercado de capitais.

O objetivo é criar condições para que uma tecnologia ainda concentrada em pesquisas e ensaios clínicos avance para aplicações comerciais. A criação de uma cobertura específica para procedimentos invasivos pode ajudar a reduzir uma das barreiras para a adoção dos implantes, que exigem intervenção cirúrgica no cérebro.

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Seguro pode acelerar uso comercial

O anúncio da PICC chamou atenção do mercado financeiro chinês. A expectativa entre investidores é que a participação de uma grande seguradora estatal ajude a aproximar os dispositivos BCI de uma utilização mais ampla na área da saúde.

Na última quarta-feira (14), empresas chinesas ligadas ao segmento registraram alta em Hong Kong. A Shanghai Heartcare Medical Technology subiu 1,28%, enquanto a BrainAurora Medical Technology avançou 1,65%. O movimento ocorreu em meio à reação dos investidores às novas iniciativas de apoio ao setor.

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A medida não significa que os implantes já estejam disponíveis de forma ampla para pacientes. A tecnologia ainda depende de pesquisas clínicas, avaliação de segurança e aprovação regulatória para diferentes aplicações.

Como funcionam os chips cerebrais?

As interfaces cérebro-computador captam sinais produzidos pela atividade cerebral e os transformam em comandos capazes de controlar computadores, próteses ou outros equipamentos.

Nos modelos invasivos, eletrodos são implantados diretamente em regiões específicas do cérebro. O procedimento exige cirurgia e, por isso, envolve riscos que vão além daqueles relacionados ao funcionamento do próprio dispositivo.

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A tecnologia tem despertado interesse, especialmente no tratamento de pacientes com limitações motoras graves. Em alguns estudos realizados nos Estados Unidos e na China, participantes com paralisia conseguiram utilizar sistemas digitais por meio de sinais cerebrais.

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Resultados chamam atenção em Hangzhou

O hospital envolvido no programa da PICC é considerado um centro de referência regional para pesquisas com interfaces cérebro-computador. Segundo relatos da imprensa chinesa, a instituição já participou de pelo menos 12 testes em seres humanos.

Um dos casos citados envolve um paciente de 61 anos com paraplegia provocada por uma lesão na medula espinhal. De acordo com os relatos, ele recuperou a capacidade de dobrar e levantar uma das pernas três dias depois da cirurgia.

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Ainda segundo essas informações, o paciente conseguiu caminhar sem auxílio 15 dias após o procedimento. O resultado é considerado promissor, mas um caso individual não é suficiente para determinar a eficácia ou a segurança da tecnologia em larga escala.

O que Musk chama de tecnologia “nível de Jesus”

A corrida chinesa ocorre em um setor que ganhou projeção mundial com a Neuralink, empresa fundada por Elon Musk. A companhia trabalha no desenvolvimento de implantes capazes de interpretar sinais cerebrais e convertê-los em comandos para equipamentos digitais.

Elon Musk tem destacado o potencial das interfaces cérebro-computador para aplicações médicas. Em uma videoconferência durante um evento em Israel nesta semana, o empresário afirmou que restaurar o controle de pessoas tetraplégicas e recuperar a visão são conquistas importantes.

Na ocasião, Musk classificou esses avanços como “tecnologias de nível divino”. A Neuralink, empresa fundada pelo empresário, afirma que seus implantes poderão permitir que usuários digitem, movimentem o cursor de um computador e operem dispositivos usando apenas o pensamento.

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A expressão se aproxima da ideia que Musk já utilizou anteriormente para descrever o potencial dos implantes cerebrais. A visão envolve usar a tecnologia não apenas para tratar doenças, mas também para ampliar a interação entre seres humanos e máquinas.

Segurança ainda é um desafio

Apesar dos avanços, especialistas chineses alertam que o setor ainda enfrenta dúvidas importantes. Entre elas estão os efeitos de longo prazo de manter eletrodos implantados no cérebro durante vários anos.

Durante a Cúpula Global de Saúde, em Hong Kong, Duan Wanru, médico-chefe do Hospital Xuanwu, afirmou que ainda não existem dados de segurança de longo prazo suficientes para avaliar o comportamento dos implantes durante períodos prolongados.

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Essa questão é central para a expansão da tecnologia. Quanto maior o número de pacientes tratados, maior também será a necessidade de acompanhar possíveis complicações relacionadas à cirurgia, ao dispositivo e à interação entre os eletrodos e o tecido cerebral.

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A disputa pela tecnologia de interfaces cérebro-computador, portanto, deixou de ser apenas uma corrida entre empresas. Na China, o governo passou a combinar políticas públicas, instituições médicas, seguradoras e mercado financeiro para acelerar um setor que pode redefinir a relação entre cérebro, computadores e dispositivos eletrônicos.

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