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QUANTUM: Empresas devem mudar a mentalidade para crescer, diz Walter Longo
Publicado 14/08/2026 • 21:23 | Atualizado há 4 dias
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Publicado 14/08/2026 • 21:23 | Atualizado há 4 dias
KEY POINTS
Empresas que pretendem crescer de forma consistente precisam transformar sua maneira de pensar, e não apenas investir em tecnologia, afirmou Walter Longo no programa QUANTUM, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para o especialista em inovação, negócios capazes de enfrentar mudanças econômicas e de mercado compartilham cinco características: propósito, comunidade, ecossistema, movimento e engajamento.
Em conversa com a apresentadora Vivianne Brafmann, Longo explicou que a análise de companhias como iFood, Cacau Show, Cimed, Totvs e O Boticário inspirou seu livro sobre os cinco segredos do crescimento exponencial. “As empresas que são donas do destino de alguma maneira desenvolvem estes cinco fatores de maneira melhor, mais aprimorada, mais atenciosa do que as demais empresas”, disse.
O ponto de partida, segundo ele, é deixar de tratar a inovação como simples aquisição de ferramentas. “A revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas, e sim quando ela adota novos comportamentos”, afirmou. Longo defendeu que as organizações desenvolvam uma “alma digital”, mais humana do que tecnológica, em vez de se limitarem às chamadas armas digitais.
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Para Longo, o propósito define a razão de existir de uma companhia, e não apenas sua atividade formal. O especialista propôs inverter a sequência tradicional de formação de negócios, em que empreendedores primeiro reúnem pessoas, depois estabelecem processos e somente mais tarde procuram uma identidade comum.
“Hoje, mais modernamente, as empresas que mais se desenvolvem são aquelas que, primeira coisa, definem o propósito”, afirmou. Na sequência, devem organizar processos compatíveis com essa finalidade e buscar profissionais que compartilhem os mesmos valores. O alinhamento, disse, ajuda a atrair novas gerações interessadas em encontrar sentido no trabalho.
O especialista comparou o propósito ao polegar da mão, cuja capacidade de pinça foi decisiva para a criação de ferramentas. A metáfora faz parte da apresentação dos cinco fatores que, em sua análise, permitem às empresas depender menos das oscilações externas.
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O segundo fator é a comunidade formada por colaboradores, franqueados, fornecedores e consumidores. Longo defendeu que o crescimento exige interesse genuíno por essas relações e disposição para ouvir todos os participantes. “É ela que deve de alguma maneira te mostrar para onde a empresa deve ir”, disse, ao explicar por que associa a comunidade ao dedo indicador.
A tecnologia tornou possível manter conversas individualizadas mesmo com grandes públicos. Como exemplo, ele mencionou os 30 milhões de clientes ligados ao programa Cacau Lovers, da Cacau Show, e afirmou que algoritmos permitem estabelecer relações diretas em escala. “Não é a tecnologia que muda a relação, é o interesse pela relação que agora a tecnologia propicia”, ressaltou.
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Siga o Times | CNBCO engajamento, quinto fator de seu modelo, é o que transforma aquisição de clientes em vínculos duradouros. “O engajamento faz com que a gente feche a porta do fundo e todo mundo permaneça na empresa. Portanto, é a garantia do lucro permanente, não do lucro episódico”, afirmou. Ele criticou empresas que atraem consumidores e talentos, mas deixam de cuidar dessas relações.
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Longo também defendeu o marketing hierárquico, no qual clientes recebem benefícios diferentes conforme o tempo e a intensidade do relacionamento com a marca. “Clientes que estão há 10 anos numa relação com essa marca não podem ser tratados da mesma forma de alguém que acabou de entrar na sua loja”, disse, citando vantagens, descontos e exclusividades como instrumentos de fidelização.
Ao tratar do terceiro fator, Longo afirmou que empresas isoladas terão dificuldades crescentes para competir. O modelo de ecossistema pressupõe que organizações possam cooperar e disputar mercado simultaneamente, em relações nas quais concorrentes também podem atuar como fornecedores ou parceiros.
“Num ecossistema, o valor do negócio não está no produto ou no serviço, está nas conexões que ele estabelece”, afirmou. O especialista citou a relação entre Apple e Samsung, concorrentes em smartphones, para ilustrar a possibilidade de colaboração. Segundo ele, essa estratégia não se limita a grandes corporações e pode ser aplicada também por pequenos negócios.
O quarto fator é a capacidade de criar movimentos espontâneos em torno da marca, mobilizando consumidores e comunidades. “O grande objetivo é melhorar a sociedade”, disse Longo, ao explicar que iniciativas desse tipo não precisam estar restritas a ações ambientais ou sociais: também podem nascer de atividades cotidianas que aproximem uma empresa das pessoas ao seu redor.
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No quadro “Desaprenda Isso”, Longo questionou a associação entre estabilidade e segurança. “No mundo atual, o que parece estável pode se tornar obsoleto muito rapidamente”, afirmou. Para ele, a velocidade das transformações exige abandonar a expectativa de que empresas e carreiras permanecerão protegidas pela repetição de modelos antigos.
“Mudança é o nome do jogo”, disse. Em sua análise, as organizações devem aprender a se adaptar a cenários inesperados, sem encarar toda instabilidade como ameaça. “O grande risco daqui para frente é não arriscar”, acrescentou, ao defender abertura a novas ideias e formas de atuação.
Ao falar sobre liderança, Longo reinterpretou a sigla CEO, tradicionalmente associada a *chief executive officer*. Para ele, o executivo preparado para esse ambiente precisa reunir curiosidade, entusiasmo e otimismo. “Uma pessoa dotada dessas três características é imparável”, afirmou, relacionando essas qualidades à capacidade de buscar novidades e mobilizar equipes.
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