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Hantavírus: como o surto da doença pode afetar a economia no Brasil e no mundo
Publicado 13/05/2026 • 19:32 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 13/05/2026 • 19:32 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: JOEL SAGET / AFP
Como o hantavírus afeta a economia no Brasil e no mundo?
O avanço dos casos de hantavírus registrados em 2026, incluindo o surto envolvendo o navio de expedição MV Hondius, colocou autoridades sanitárias e setores estratégicos da economia em estado de atenção.
O episódio ocorreu após a embarcação partir de Ushuaia, na Argentina, em abril deste ano, e registrar sete casos confirmados e três mortes ligadas à cepa Andes do vírus.
A situação provocou monitoramento internacional de passageiros e reacendeu preocupações sobre os impactos econômicos de doenças zoonóticas em áreas como turismo, agronegócio e logística.
De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma doença viral transmitida principalmente pelo contato com urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados.
Em humanos, pode evoluir para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, quadro grave que afeta pulmões e coração e apresenta elevada taxa de letalidade.
O caso do MV Hondius atingiu diretamente o mercado de cruzeiros e o turismo de aventura na América do Sul. Ushuaia, principal porta de entrada para expedições rumo à Antártida, passou a enfrentar um aumento na preocupação de viajantes e operadores turísticos.
Para André Matos, que tem mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro e CEO da MA7 Negócios, o episódio evidenciou como surtos sanitários conseguem afetar rapidamente atividades ligadas à mobilidade internacional.
Leia também: Navio atingido por hantavírus atraca nas Ilhas Canárias, na Espanha
“A embarcação saiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril de 2026, e ao registrar 7 casos confirmados e 3 mortes pela cepa Andes do hantavírus, imediatamente colocou em alerta o setor de cruzeiros antárticos, uma das principais rotas turísticas da América do Sul.”
Segundo ele, a repercussão internacional ampliou o temor em torno de viagens para regiões consideradas de maior risco epidemiológico, mesmo diante da avaliação de autoridades de saúde de que não existe risco de pandemia.
A confirmação de casos ligados à cepa Andes também alterou a percepção de risco em diversos setores econômicos. Isso porque essa variante específica já apresentou registros esporádicos de transmissão entre pessoas na Argentina e no Chile.
“O caso do MV Hondius mudou a percepção de risco sanitário em um ponto que o mercado ainda não havia precificado bem, que é a possibilidade de transmissão pessoa a pessoa pela cepa Andes, diferentemente da maioria das variantes do hantavírus, que se transmitem apenas por roedores”, afirmou Matos.
Após o desembarque da embarcação em Tenerife, na Espanha, passageiros passaram a ser monitorados por autoridades de diferentes países, incluindo Canadá e nações europeias.
Leia também: Minas Gerais confirma primeira morte por hantavírus em 2026
Ainda segundo Matos, os primeiros reflexos costumam atingir empresas ligadas ao turismo, companhias aéreas, seguradoras e operadores de viagens internacionais.
“Os setores que sentem primeiro esses efeitos são cruzeiros e turismo de aventura, seguros de viagem, companhias aéreas operando rotas para regiões de foco, e o mercado farmacêutico, que responde com aumento de demanda por antivirais e equipamentos de proteção.”
Além do turismo, o agronegócio é apontado como um dos segmentos mais vulneráveis aos surtos de hantavírus. Isso ocorre porque trabalhadores rurais estão mais expostos ao contato com áreas frequentadas por roedores silvestres, especialmente em regiões de plantio e armazenamento agrícola.
“A doença é transmitida por roedores e acomete majoritariamente trabalhadores rurais, o que pode reduzir a força de trabalho em regiões produtivas em períodos de surto”, disse o executivo.
Leia também: Espanha retira 94 pessoas de 19 nacionalidades de cruzeiro com surto de hantavírus
O setor de transporte também pode sofrer consequências operacionais. Casos suspeitos em embarcações ou rotas internacionais costumam gerar medidas de controle sanitário, atrasos logísticos e aumento de custos.
“No transporte, a interdição de rotas e a quarentena de embarcações geram custos operacionais diretos e atrasos em cadeias logísticas que já operam com margens apertadas”, acrescentou.
A necessidade de monitoramento epidemiológico e atendimento hospitalar intensivo também pressiona os cofres públicos. A forma pulmonar grave da doença possui taxa de letalidade elevada e pode exigir internações em unidades de terapia intensiva.
“Historicamente, surtos sanitários elevam de forma relevante os gastos públicos com saúde, e o hantavírus não é exceção. A taxa de letalidade da forma pulmonar grave da doença está estimada em cerca de 38%, o que exige estrutura hospitalar robusta e mobilização de UTIs em regiões com casos ativos”, afirmou André Matos.
No Brasil, o Ministério da Saúde informou que os registros domésticos de 2026 não possuem relação com o surto internacional ligado ao navio. Em 2025, o país contabilizou 35 casos e 15 mortes, o menor número da série histórica.
Mesmo assim, autoridades mantêm vigilância sobre áreas rurais e regiões consideradas endêmicas para a doença.
A principal lição deixada por surtos recentes é a importância da prevenção e da resposta rápida das autoridades sanitárias.
“A principal lição que surtos anteriores de hantavírus e outras crises sanitárias deixam para governos e empresas é que o custo da prevenção é sempre menor do que o custo da resposta tardia”, afirmou André Matos.
Ele destacou ainda que protocolos de biossegurança, monitoramento epidemiológico e comunicação transparente ajudam a reduzir danos econômicos e preservar a confiança do mercado.
“Para empresas, a lição prática é incorporar risco sanitário nos planos de continuidade de negócios, especialmente aquelas com operações em regiões de maior exposição a zoonoses, porque o custo de um protocolo preventivo é marginal comparado ao impacto de uma interrupção operacional ou crise reputacional.”
Vigilância sanitária, prevenção e resposta rápida serão decisivas para evitar surtos localizados de hantavírus que provoquem impactos econômicos de grandes proporções.
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