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Kátia Abreu: Rota Bioceânica surge como alternativa estratégica ao Canal do Panamá e pode reduzir custos logísticos do Brasil
Publicado 04/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/05/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A criação de uma rota alternativa para exportações brasileiras – a chamada “Rota Bioceânica” –, reduzindo custos e dependência de trajetos tradicionais como o Canal do Panamá, coloca o país diante de uma transformação logística estratégica. A avaliação é de Kátia Abreu, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao analisar o avanço da Rota Bioceânica (Corredor de Capricórnio).
Segundo ela, o projeto representa uma mudança estrutural no comércio exterior brasileiro. “É uma alternativa estratégica fundamental para o Brasil exportar diretamente para a Ásia pelo Pacífico”, afirmou nesta segunda-feira (4), em sua participação no Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para a especialista, trata-se de um marco recente. “É a segunda grande novidade depois do acordo Mercosul-União Europeia”, destacou.
A rota terá um trajeto rodoviário que atravessa diferentes regiões da América do Sul. “É uma estrada que sai do Porto de Santos, passa por Bauru, cruza o Mato Grosso do Sul até Porto Murtinho e segue por Paraguai, Argentina e Chile”, explicou. O destino final são portos estratégicos no Pacífico. “Ela termina em Antofagasta e Iquique, no Chile”, pontuou.
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Kátia destaca que o projeto cria uma nova lógica logística. “Estamos falando de uma saída direta para o Pacífico, sem depender de rotas congestionadas ou mais caras”, frisou.
Os ganhos econômicos são um dos principais atrativos da iniciativa. “A rota tem cerca de 3.220 km, contra 7.500 km via Canal do Panamá e até 18.000 km pela África”, comparou. Essa diferença impacta diretamente o frete. “A economia pode chegar a US$ 20 a US$ 25 por tonelada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, afirmou.
O impacto é ainda mais evidente no transporte rodoviário. “Um caminhão de 30 toneladas de soja gasta cerca de US$ 3.450 (R$ 17,2 mil) pelas rotas tradicionais e cairia para US$ 2.700 (R$ 13,4 mil) na nova rota”, destacou. “Isso representa uma economia de US$ 750 (R$ 3,7 mil) por caminhão”, acrescentou.
O estágio das obras é considerado avançado. “Hoje, cerca de 85% da rota já está pronta”, disse. O principal gargalo está na fronteira. “A ponte em Porto Murtinho é a obra mais complexa e deve ser inaugurada ainda neste semestre”, explicou.
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A finalização depende de trechos menores. “Faltam pequenos segmentos no Paraguai e na Argentina, com possibilidade de financiamento pelo BNDES”, apontou. O cronograma já está definido. “A conclusão total deve ocorrer em 2027, com operação plena em 2028”, ressaltou.
Kátia compara a iniciativa a estratégias adotadas em contextos de crise. “É uma espécie de redenção logística, como rotas alternativas criadas em conflitos internacionais”, afirmou. A ideia é reduzir vulnerabilidades. “A rota evita dependência do Canal do Panamá e de trajetos longos próximos a zonas de conflito”, explicou.
Além disso, o projeto pode aliviar gargalos internos. “Vai desafogar portos como Santos e Paranaguá, que devem atingir limite entre 2030 e 2035”, destacou.
O projeto também desperta atenção externa. “Países asiáticos, especialmente a China, têm grande interesse nessa rota para garantir fornecimento contínuo”, disse. No entanto, ainda há entraves importantes.
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O principal desafio agora é regulatório. “Precisamos harmonizar normas sanitárias e simplificar a documentação aduaneira entre os países”, afirmou. Para ela, essa etapa é decisiva. “Sem isso, a fluidez do transporte pode ser comprometida”, concluiu.
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