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Brasil atrai investimento estrangeiro, mas eleições e burocracia podem frear avanço, diz economista
Publicado 08/05/2026 • 13:53 | Atualizado há 5 dias
Publicado 08/05/2026 • 13:53 | Atualizado há 5 dias
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O Brasil deve continuar entre os principais destinos globais de investimento estrangeiro direto nos próximos anos, impulsionado por projetos ligados à energia renovável, infraestrutura, indústria e pelo papel estratégico do País como plataforma de exportação para a América Latina.
A avaliação é de Igor Lucena, economista e doutor em Relações Internacionais, ao comentar o levantamento da OCDE que colocou o Brasil na terceira posição mundial em investimento estrangeiro em 2025, atrás apenas de Estados Unidos e China.
Em entrevista nesta sexta-feira (8) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o economista explicou que o destaque brasileiro está ligado principalmente à capacidade de atrair capital produtivo de longo prazo, voltado à instalação de fábricas, equipamentos e infraestrutura.
“O investimento direto estrangeiro é o melhor recurso que entra em um país porque ele cria capital físico, gera empregos, impostos e cadeia produtiva local”, afirmou.
O relatório da OCDE mostra que os Estados Unidos lideraram o ranking global ao receberem US$ 288 bilhões (R$ 1,4 trilhão) em investimentos estrangeiros no ano passado. A China apareceu na segunda posição, com US$ 80 bilhões (R$ 393,6 bilhões), seguida pelo Brasil, que atraiu US$ 77 bilhões (R$ 378,8 bilhões) em aportes externos.
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Para Igor Lucena, fatores geográficos, territoriais e econômicos ajudam a explicar o posicionamento brasileiro no ranking. “O Brasil é visto como uma plataforma de exportação para a América Latina, além de ter proximidade geográfica com Europa e África”, destacou.
Ele também apontou que setores como saneamento e energias renováveis, especialmente projetos ligados às áreas solar e eólica, aumentaram o interesse internacional no País. “O Brasil precisou durante muito tempo de alto investimento nessas áreas e isso atraiu muito capital estrangeiro”, explicou.
Na avaliação do economista, parte relevante do investimento estrangeiro recebido pelo Brasil também é consequência das dificuldades enfrentadas por empresas para exportar diretamente ao mercado brasileiro. “Como o Brasil possui muitas barreiras à importação e custos elevados para trazer produtos de fora, muitas empresas preferem abrir fábricas aqui para atender o mercado local”, afirmou.
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Segundo ele, o tamanho territorial e populacional brasileiro também reforça o interesse de investidores internacionais em operações de longo prazo. “Estados Unidos, China e Brasil têm características semelhantes: são países continentais, com grandes populações e influência regional forte”, pontuou.
Para Igor Lucena, a tendência é que o Brasil permaneça entre os cinco a dez principais destinos globais de investimento direto estrangeiro nos próximos anos, especialmente após o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.
“O acordo Mercosul-União Europeia pode ser um dos grandes motores da economia brasileira nos próximos dez anos”, ressaltou. Segundo ele, o tratado tende a estimular empresas estrangeiras a utilizarem o Brasil como base produtiva para exportações ao mercado europeu.
O economista afirmou que a implementação integral do acordo pode elevar o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em até 0,8% ao ano durante a próxima década. “Com um crescimento estrutural maior, o investimento estrangeiro direto também cresce”, observou.
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Apesar do cenário favorável no longo prazo, Igor Lucena avalia que o Brasil deve enfrentar desaceleração na entrada de novos investimentos ao longo de 2026 por causa das incertezas eleitorais. “Anos eleitorais colocam investidores com medo porque ninguém sabe qual será a política econômica do próximo governo”, afirmou.
Segundo ele, mudanças frequentes nas diretrizes econômicas brasileiras acabam aumentando a cautela do capital estrangeiro. “No Brasil, as decisões mudam de maneira muito radical e isso coloca o pé no freio dos investidores”, destacou.
O economista comparou o cenário brasileiro ao de países como China, Índia e Estados Unidos, onde, segundo ele, há maior previsibilidade institucional independentemente da alternância de governos.
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“Eu só vejo um crescimento real do investimento estrangeiro após o fim das eleições, quando houver clareza sobre a política econômica que será adotada em 2027”, explicou.
Ao diferenciar o capital especulativo do investimento produtivo, Igor Lucena afirmou que o chamado “smart money” hoje é atraído principalmente pelos juros elevados no Brasil. “A taxa de juros acima de dois dígitos torna o retorno financeiro brasileiro muito atrativo para operações de curto prazo”, disse.
Segundo ele, esse fluxo tende a diminuir quando a taxa Selic cair, o que pode pressionar o dólar. “Quando os juros caírem para abaixo de dois dígitos, esse dinheiro especulativo vai embora”, alertou.
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Para atrair investimentos produtivos permanentes, o economista defendeu redução da burocracia, melhora regulatória e retomada do processo de entrada do Brasil na OCDE. “A OCDE oferece um conjunto de boas práticas que aumenta a segurança do capital estrangeiro de longo prazo”, afirmou.
Ele criticou a interrupção de reformas estruturais voltadas à abertura econômica brasileira. “Ou o Brasil faz reformas burocráticas reais, ou continuará vivendo de dinheiro baseado apenas na especulação da taxa de juros”, concluiu.
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