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Economia Brasileira

Consumo fraco deve reduzir crescimento do PIB a 1,3% em 2027

Publicado 14/10/2026 • 17:32 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Alexandre Espírito Santo projeta desaceleração do PIB brasileiro para a faixa de 1,2% a 1,3% em 2027, ante cerca de 2% esperados neste ano.
  • Juros elevados, inflação e endividamento das famílias restringem o crédito e pressionam o consumo, responsável por cerca de dois terços do PIB.
  • Economista defende ajuste fiscal seletivo, com redução de privilégios e preservação dos programas sociais, distribuído ao longo de dois anos.

A economia brasileira poderá desacelerar de cerca de 2% neste ano para 1,2% a 1,3% em 2027, diante da perda de força do consumo das famílias, avaliou Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, em entrevista nesta quarta-feira (14) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“O ano de 2027 será muito difícil, independente de quem vença o pleito. Já temos contratada uma desaceleração, que pode ser mais ou menos importante a depender da política econômica que será colocada em prática”, afirmou o economista, ao analisar o cenário para o próximo governo.

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O entrevistado ressaltou que o consumo das famílias representa cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) e enfrenta restrições decorrentes da inflação, dos juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito. Ele também apontou o crescimento da inadimplência e o peso das dívidas no orçamento doméstico.

Juros e endividamento pressionam famílias

“O problema é que esse consumo está sendo bombardeado, especialmente por conta da inflação muito alta e, sobretudo, da taxa de juros extremamente alta que a gente pratica”, explicou. Na avaliação dele, o custo do crédito dificulta a contratação de novos empréstimos e limita as compras.

Para reverter a trajetória de desaceleração, Espírito Santo defendeu um “choque de expectativa positivo” associado à reorganização das contas públicas. “Isso passa necessariamente por um ajuste fiscal, independente de quem vença”, disse.

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O economista criticou o aumento de gastos do governo e citou, em sua própria estimativa, 22 programas de auxílio com impacto de aproximadamente R$ 250 bilhões desde o início do ano, valor que comparou a quase 2% do PIB. “E de onde virá esse dinheiro? O dinheiro não nasce em pé de árvore”, questionou.

Ajuste fiscal sem corte indiscriminado

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Apesar de defender a redução de despesas, Espírito Santo rejeitou a ideia de atingir indiscriminadamente os benefícios destinados à população mais vulnerável. “Não podemos cortar programas sociais, porque isso penalizaria uma parte importante da sociedade que precisa de auxílio”, ponderou.

O caminho, segundo ele, é um ajuste fiscal seletivo, que enfrente vantagens e privilégios antigos. “Esse corte precisa pegar, como o pessoal gosta de chamar, primeiro o andar de cima, e não o andar de baixo”, ressaltou.

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O entrevistado estimou a necessidade de um ajuste entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões, mas defendeu que a redução seja gradual. “Não acho que esse corte […] aconteça em um único ano. Ele vai precisar ser escalonado, de alguma maneira, nos primeiros dois anos”, afirmou.

Congresso e polarização

A participação do Congresso eleito em 4 de outubro também foi apontada como decisiva. Para o economista, a composição mais conservadora do Legislativo poderá dificultar a negociação de reformas em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Precisaremos do Congresso para fazer as reformas e esses cortes, reformas profundas, reformas que mexem com essas vantagens”, destacou, ao mencionar a dificuldade política de alterar benefícios estabelecidos há muito tempo.

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Espírito Santo defendeu ainda a redução da polarização política após a eleição para facilitar as negociações. “É um desafio. É muito difícil de acontecer, mas, se não o fizermos, será sempre com um custo adicional para todos nós”, concluiu.

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