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Publicado 26/05/2026 • 07:30 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Divulgação/Banco Master
O que é liquidez bancária e por que ela virou ponto-chave no caso Master
A crise do Banco Master colocou a liquidez bancária no centro das discussões sobre a situação da instituição que foi controlada por Daniel Vorcaro. De acordo com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, movimentações da instituição em meio à crise financeira chamaram a atenção do BC.
Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Galípolo disse que algumas movimentações do Master em meio à crise financeira foram suficientes para que o BC investigasse movimentações suspeitas.
Leia também: Entenda a ligação apontada entre Banco Master, Equatorial e privatização da Sabesp
Liquidez bancária representa a capacidade de um banco ter dinheiro disponível para pagar dívidas, saques e outros compromissos no curto prazo. Desta forma, quando uma instituição perde liquidez, ela encontra dificuldade para captar recursos no mercado e manter pagamentos em dia.
No caso do Master, o banco criou novas carteiras para captar recursos, mas encontrou negativas ao longo do processo, o que também chamou a atenção do BC.
De acordo com informações da Agência Brasil, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Galípolo explicou que um banco com dificuldade de liquidez normalmente vende carteiras e não cria novas operações.
Segundo ele, o BC identificou o movimento como um sinal de alerta ainda no começo de 2025. Por isso o órgão criou um grupo específico para analisar as novas carteiras formadas pelo Banco Master.
Antes disso, em novembro de 2024, o Banco Central assinou um termo de compromisso com o Master. O acordo dava prazo de 6 meses para o banco ajustar governança, capital e liquidez.
Após o acordo, o Banco Master tentou captar recursos com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Após isso, a instituição financeira sofreu restrições e buscou capital junto a fundos de investimento, mas não conseguiu avançar nas tratativas.
Na sequência, o Banco Master intensificou as vendas de carteiras, principalmente para o Banco Regional de Brasília (BRB). A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude em cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vendidos ao banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Além disso, o BRB tentou comprar o Banco Master, mas o Banco Central rejeitou a operação entre as instituições. O ex-presidente da instituição de Brasília, Paulo Henrique da Costa, foi preso em uma das fases da Operação Compliance Zero.
Com o agravamento da crise do Master, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira de Vorcaro em 18 de novembro de 2025. A decisão saiu 10 meses depois do início da análise das novas carteiras.
Antes da liquidação, o banco ainda apresentou uma proposta envolvendo supostos investidores árabes. Segundo Galípolo, porém, o Banco Central nunca conheceu oficialmente esses investidores.
Leia também: Quem é Carlos Piani, citado em representação sobre Sabesp, EMAE e Banco Master
Apesar da complexidade do caso Master e dos valores levantados para as possíveis fraudes da instituição financeira, Gabriel Galípolo também afirmou que o Banco Master não representava risco sistêmico para o mercado financeiro. De acordo com ele, o banco correspondia a menos de 0,5% do sistema bancário brasileiro.
O presidente do Banco Central ainda afirmou que liquidar uma instituição financeira não significa punir os correntistas e clientes, mas sim impedir que a situação financeira continue se agravando. No caso do Banco Master, as investigações da PF seguem avançando, além do andamento de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro.
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