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Estudo traça 18 cenários para a economia do Brasil após tarifaço e tensão no Irã

Publicado 03/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • O Brasil entrou em um período de maior incerteza econômica, marcado por mudanças nas relações comerciais internacionais e pelo aumento das tensões geopolíticas.
  • Um estudo realizado pelo IBEVAR em parceria com a FIA Business School analisou como esses movimentos podem se combinar com o cenário eleitoral brasileiro.
  • A preocupação com o Irã está relacionada também à importância comercial do país para o Brasil. Em 2025, o comércio bilateral movimentou quase US$ 3 bilhões.
Tarifaço

Foto: Magnific

O Brasil entrou em um período de maior incerteza econômica, marcado por mudanças nas relações comerciais internacionais e pelo aumento das tensões geopolíticas. Nesse ambiente, o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos e a instabilidade envolvendo o Irã passaram a ser fatores de atenção para empresas, investidores e governo.

Um estudo realizado pelo IBEVAR em parceria com a FIA Business School analisou como esses movimentos podem se combinar com o cenário eleitoral brasileiro e criou 18 projeções para avaliar possíveis impactos sobre a economia do país.

A preocupação com o Irã está relacionada também à importância comercial do país para o Brasil. Em 2025, o comércio bilateral movimentou quase US$ 3 bilhões, com destaque para as exportações brasileiras de produtos do agronegócio.

As vendas do Brasil ao mercado iraniano chegaram a aproximadamente US$ 2,9 bilhões, enquanto as importações ficaram próximas de US$ 84 milhões. Milho e soja concentraram 87,2% das exportações brasileiras para o país, mostrando a relevância dessa relação para alguns setores da economia nacional.

Leia também: EXCLUSIVO: Estudo levanta 18 cenários de risco para o Brasil envolvendo tarifaço, guerra no Irã e eleições

Tarifaço dos Estados Unidos ameaça exportações brasileiras

Entre os principais pontos avaliados está a nova política comercial americana, que aplica uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma cobrança adicional de 12,5% para itens relacionados a acusações de trabalho forçado. Em determinados casos, a taxa chega a 37,5%.

Além disso, o estudo estima que US$ 11 bilhões em exportações brasileiras sofrem os efeitos da medida. Esse valor representa aproximadamente R$ 76 bilhões em atividade econômica.

Os efeitos se concentram em alguns estados e setores específicos. São Paulo e Santa Catarina respondem por 52% do impacto total estimado. Em Santa Catarina, 68% das exportações destinadas aos Estados Unidos estão na lista afetada.

Já no Ceará, o polo industrial de Pecém aparece entre os pontos mais vulneráveis, com 96,5% das vendas ao mercado americano sob risco, o equivalente a US$ 441,3 milhões.

Entre os setores mais pressionados estão madeira, com 83% das exportações atingidas, minerais não metálicos, com 56,3%, e produtos químicos, com 51,8%.

Governo amplia medidas contra efeitos do tarifaço

Para reduzir os impactos sobre empresas afetadas pelas tarifas, o governo lançou o Plano Brasil Soberano, com R$ 55 bilhões em linhas de crédito. O programa reúne R$ 40 bilhões na primeira fase e outros R$ 15 bilhões por meio de medida provisória. Além disso, até a análise do estudo, os pedidos protocolados somavam R$ 18,4 bilhões.

Apesar das medidas, o levantamento aponta desafios fiscais. A dívida bruta brasileira está em 83% do PIB e pode chegar a 86% ou 87% em 2027. Além disso, 94% do pacote eleitoral estimado entre R$ 187 bilhões e R$ 227 bilhões ficaria fora do arcabouço fiscal.

Ao reunir todos os cenários, o estudo conclui que as hipóteses de acomodação superam 60% de probabilidade. Ainda assim, os pesquisadores alertam que mudanças no comércio global, na geopolítica e no ambiente político brasileiro podem alterar rapidamente as perspectivas econômicas.

Leia também: EXCLUSIVO: Estudo traça mapa da hemorragia setorial e regional causada pelo tarifaço

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Cenários combinam comércio, geopolítica e eleições

Para construir as 18 projeções, os pesquisadores utilizaram uma metodologia em etapas. Primeiro, avaliaram diferentes possibilidades para a política comercial americana, considerando desde uma trégua até uma escalada das medidas.

Depois, incluíram três possibilidades para a evolução das tensões envolvendo o Irã. Por fim, acrescentaram o cenário eleitoral brasileiro, criando combinações entre os fatores externos e internos.

Na parte política, o estudo adotou uma divisão equilibrada entre continuidade do governo atual e alternância em 2027. Os autores destacam que a escolha tem apenas finalidade metodológica e não representa uma previsão eleitoral.

Maioria dos cenários aponta acomodação, mas risco extremo permanece

Entre as combinações analisadas, o cenário com maior probabilidade reúne uma estabilização das tarifas americanas e uma tensão de baixa intensidade entre Irã e países ocidentais. Essa hipótese concentra 33% de probabilidade.

Nesse ambiente, a tarifa de 25% permanece sem novos aumentos e o petróleo Brent oscila entre US$ 81 e US$ 87 por barril, sem um choque mais intenso.

No outro extremo está a chamada “tempestade perfeita”, cenário com apenas 3% de probabilidade. A hipótese considera uma escalada comercial junto a um confronto direto envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

O impacto poderia incluir fechamento do Estreito de Ormuz, aumento do preço do petróleo e pressão sobre o câmbio, com o dólar variando entre R$ 5,50 e R$ 5,90.

Leia também: EXCLUSIVO: Tarifaço abre rombo fiscal duplo e empurra dívida a 83% do PIB em 2026, mostra estudo

Estudo analisa impactos de três fatores sobre a economia brasileira

É nesse cenário de incerteza que um estudo do IBEVAR em parceria com a FIA Business School projetou 18 possíveis caminhos para a economia brasileira. A análise combina três elementos: o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, a situação geopolítica envolvendo o Irã e o calendário eleitoral brasileiro.

Além disso, segundo os pesquisadores, o estudo busca identificar como diferentes combinações desses fatores podem afetar as perspectivas econômicas do país até 2027.

O levantamento aponta que os riscos externos podem ter maior influência no curto prazo do que a disputa eleitoral, já que mudanças no comércio internacional e no mercado de energia podem alterar rapidamente as expectativas de empresas e investidores.

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