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A Unilever parou de contratar e a culpa é da guerra
Publicado 31/03/2026 • 11:48 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 31/03/2026 • 11:48 | Atualizado há 6 meses
REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa
Logo da Unilever
A Unilever não vai contratar nenhum funcionário nos próximos três meses e esse hiato de contratações pode durar ainda mais tempo. A companhia está congelando o seu quadro de funcionários (pelo menos no que diz respeito às adições) por conta do conflito no Oriente Médio.
Fabricante do sabonete Dove e dona de marcas como Omo, Rexona e Hellmann's, a companhia congelou as contratações em todos os níveis hierárquicos, conforme reportado pela agência de notícias de Reuters.
Em comunicado enviado aos funcionários, a empresa declarou que “as realidades macroeconômicas e geopolíticas, especialmente no conflito do Oriente Médio (...) trazem alguns desafios significativos para os próximos meses”.
A Unilever emprega atualmente cerca de 96 mil funcionários no mundo. O número caiu drasticamente desde 2020. Há seis anos a companhia tinha mais de 149 mil trabalhadores em seu quadro. A redução tem relação direta com os resultados abaixo do esperado.
Há também ligação com uma política de economia de custos que foi implementada desde 2024. A companhia entende que para garantir uma saúde financeira adequada para o negócio, seria necessário economizar 800 milhões de euros por mês em custos até 2027.
Ainda que a Unilever não dependa do Oriente Médio para fazer a produção de suas mercadorias vendidas globalmente, a região é estratégica devido ao fornecimento de petróleo para o desenvolvimento de produtos químicos e plásticos.
O Brasil é um dos principais mercados para a companhia. A companhia emprega pouco mais de 10 mil funcionários no País. Esse número chegou a ser maior em anos anteriores, mas a operação também foi afetada pelos cortes recentes.
Os resultados recentes da Unilever mostram essa desaceleração. A multinacional viu sua receita cair 3,8% em 2025 para 50,5 bilhões de euros.
Economistas mostram receio com o cenário atual e indicam que a Unilever pode não ser a única a empresa afetada pela crise geopolítica.
“Vai esfriar ainda mais o mercado de trabalho”, afirmou Nicholas Bloom, professor de economia da Universidade Stanford, durante um evento recente da Harvard Kennedy School sobre os efeitos econômicos do conflito.
Segundo ele, quem já está empregado deve ter cautela: “Se você tem um emprego agora, não saia dele”, pois o ambiente tende a se tornar mais difícil.
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