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Varejo pode enfrentar onda de fechamentos em 2026; veja os setores mais afetados

Publicado 13/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Vestuário e acessórios lideram os setores mais afetados, com taxa estimada de fechamento de 48,4% em um cenário como o de 2018.
  • Alimentos especializados, tecidos e armarinho aparecem na sequência, com taxas de 42,5% e 38,6%.
  • Mesmo setores mais resistentes, como farmácias, saúde e esporte e lazer, podem sofrer forte impacto em uma crise de maior intensidade.

Foto: Pexels

Fechamento de empresas em 2026: quais setores devem ser mais afetados

O varejo brasileiro pode enfrentar em 2026 uma nova onda de fechamento de empresas. Segundo estudo do IBEVAR e da FIA Business School, divulgado com exclusividade ao Times Brasil, este ano apresenta características semelhantes às observadas em 2018, quando a mortalidade empresarial atingiu um dos níveis mais elevados da série analisada. A avaliação considera 12 anos de dados de abertura, fechamento e saldo de empresas em 13 segmentos do varejo nacional.

Entre os setores analisados, vestuário e acessórios aparecem como os mais expostos. Em um cenário semelhante ao de 2018, a taxa estimada de fechamento chega a 48,4%. Alimentos especializados vêm na sequência, com 42,5%, seguidos por tecidos e armarinho, com 38,6%.

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O levantamento foi elaborado a partir de dados entre 2011 e 2022. Os pesquisadores utilizaram um modelo estatístico de efeitos fixos para avaliar o impacto de diferentes períodos sobre o fechamento de empresas e separar as características próprias de cada segmento dos efeitos provocados pelos choques econômicos e institucionais.

Vestuário aparece como setor mais vulnerável

O comércio de vestuário e acessórios apresenta a maior exposição entre os 13 segmentos avaliados. Em um ano considerado normal pelo modelo, a taxa de fechamento estimada é de 22,5%. No cenário de 2018, esse percentual sobe para 48,4%.

Alimentos especializados aparecem em segundo lugar. A taxa estimada passa de 16,6% em um ano normal para 42,5% em um cenário semelhante ao registrado em 2018.

Na sequência estão tecidos e armarinho, com 38,6%; eletrônicos e informática, com 36,8%; e supermercados, com 34,2%.

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O grupo também inclui outros segmentos especializados: papelaria e escritório, casa e decoração e material de construção. Todos apresentam taxas superiores a 28% no cenário de maior impacto analisado.

Crises podem atingir até setores mais resistentes

O estudo mostra que a vulnerabilidade não está restrita aos segmentos que apresentam maior propensão ao fechamento em períodos considerados normais.

Farmácias, saúde, esporte e lazer aparecem entre os setores mais resistentes. Em um ano normal, os efeitos estimados sobre esses segmentos ficam próximos de zero ou abaixo da referência utilizada pelo modelo.

A situação muda em um cenário de crise mais intensa. Em 2018, por exemplo, esporte e lazer chegou a uma taxa estimada de fechamento de 23,5%. Farmácias e saúde alcançaram 25,5%.

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Os números indicam que choques de maior intensidade podem reduzir a diferença de resistência entre os segmentos. Mesmo atividades consideradas mais protegidas passam a registrar níveis elevados de encerramento de empresas.

2026 é comparado ao cenário de 2018

A principal conclusão do estudo é que 2026 apresenta características mais próximas de 2018 do que da recessão de 2015.

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O modelo estima que o choque de 2018 elevou o fechamento de empresas em 25,9 pontos percentuais acima do nível esperado para um ano comum. Em 2021, o aumento foi de 21,3 pontos percentuais. Já 2015 registrou elevação de 5,5 pontos percentuais.

Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a combinação de crise institucional e incerteza política exerce forte influência sobre a atividade empresarial.

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O estudo também aponta que parte do resultado de 2018 pode estar relacionada a baixas administrativas de CNPJs inativos realizadas pela Receita Federal. Por isso, o número não representa necessariamente apenas empresas que estavam em operação e encerraram suas atividades.

Projeção para os setores em 2026

A coluna referente a 2026, apresentada na reportagem, não corresponde a um cálculo específico realizado pelo IBEVAR. Trata-se de uma extrapolação editorial do Times Brasil com base na comparação estabelecida pelo próprio estudo entre o cenário atual e 2018.

Nesse cenário, vestuário e acessórios liderariam o fechamento, com 48,4%, seguidos por alimentos especializados, com 42,5%, e tecidos e armarinho, com 38,6%.

Eletrônicos e informática teriam taxa de 36,8%, enquanto supermercados chegariam a 34,2%. Outros especializados ficariam em 31,3%, papelaria e escritório em 30,5% e casa e decoração em 28,8%.

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Material de construção apareceria com 28,1%, alimentação preparada com 28%, combustíveis com 27,9%, farmácias e saúde com 25,5% e esporte e lazer com 23,5%.

Os percentuais representam a proporção estimada de empresas que encerrariam atividade em relação ao total existente no segmento naquele ano. Eles não indicam uma variação percentual em relação ao ano anterior.

Varejo pode enfrentar novo período de pressão

A análise do IBEVAR e da FIA Business School sugere que os efeitos de uma crise de maior intensidade podem atingir diferentes áreas do varejo simultaneamente.

Os gráficos do estudo mostram picos de fechamento em 2015, 2018 e 2021 em grande parte dos segmentos analisados. O comportamento indica que os setores respondem conjuntamente aos grandes choques, além dos fatores específicos de cada atividade.

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Setor Taxa de fechamento estimada em 2026*
Vestuário e acessórios 48,4%
Alimentos especializados 42,5%
Tecidos e armarinho 38,6%
Eletrônicos e informática 36,8%
Supermercados 34,2%
Outros especializados 31,3%
Papelaria e escritório 30,5%
Casa e decoração 28,8%
Material de construção 28,1%
Alimentação preparada 28,0%
Combustíveis 27,9%
Farmácias e saúde 25,5%
Esporte e lazer 23,5%

Para 2026, a avaliação das empresas coloca novamente o ambiente institucional e político no centro da análise. Caso o comportamento siga o padrão identificado em 2018, os segmentos mais vulneráveis estruturalmente tendem a enfrentar maior pressão, mas nem mesmo os setores considerados mais resistentes ficariam fora do impacto.

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