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Investidores da Naskar devem esperar pagamento após venda para a Azara? Entenda os riscos
Publicado 18/05/2026 • 13:08 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 18/05/2026 • 13:08 | Atualizado há 6 meses
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Reprodução
Quem são os sócios da Naskar, fintech investigada por sumiço de R$ 1 bilhão
A suposta venda da Naskar para a gestora americana Azara Capital aumentou as dúvidas em torno do desaparecimento de aproximadamente R$ 1 bilhão, pertencentes a cerca de 3 mil investidores em todo o Brasil. Enquanto clientes aguardavam respostas sobre a devolução dos recursos, os três sócios da fintech se reuniram em um escritório especializado em reestruturação empresarial.
A Naskar entrou na mira da Polícia Civil do Distrito Federal após interromper pagamentos, retirar o aplicativo do ar e cortar comunicação com os investidores no início de maio. A empresa prometia rentabilidade de 2% ao mês, equivalente a 175% do CDI, mesmo sem possuir registro no Banco Central e nem na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Leia também: Naskar não tinha registro na CVM, diz órgão após sumiço de quase R$ 1 bilhão
Na última quinta-feira (14), a Naskar e a Azara Capital divulgaram uma nota conjunta anunciando a compra das empresas Naskar, 7trust e Next por aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Segundo o comunicado, a gestora assumiria integralmente os ativos e passivos das companhias.
A Azara também afirmou que começaria nesta semana as tratativas para desenvolver os recursos aos investidores prejudicados. A promessa gerou expectativa entre clientes que aguardam há semanas algum posicionamento concreto sobre o dinheiro desaparecido.
Mesmo assim, a operação rapidamente levantou suspeitas no mercado financeiro e de especialistas na área jurídica. Isso porque a empresa apresentada como compradora não possui registros nos principais órgãos reguladores dos Estados Unidos.
A Azara Capital se apresentou ao mercado como uma gestora sediada em Miami, nos Estados Unidos. No entanto, a empresa não aparece nos registros da Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente americana da CMV, nem na Financial Industry Regulatory Authority (FINRA), responsável pela autorregulação do mercado financeiro americano.
Sem esses registros, uma empresa não pode atuar legalmente na gestão de terceiros nos Estados Unidos. Em resposta à Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a assessoria da Azara afirmou que está devidamente registrada em território insular americano” e que “não requer registro perante a SEC ou a FINRA” por operar exclusivamente com capital próprio.
A justificativa, porém, aumentou as dúvidas. Territórios insulares americanos incluem regiões como Porto Rico e Ilhas Virgens dos Estados Unidos, conhecidas por regras mais flexíveis de fiscalização. Além disso, especialistas destacam que operar com capital próprio não elimina exigências regulatórias para atuação financeira.
Além dos fatores envolvendo os registros americanos, a Azara também levanta uma suspeita curiosa. No Brasil, a empresa foi aberta em 4 de fevereiro de 2026, exatamente 100 dias antes do anúncio da compra da Naskar. A empresa possui capital social de R$ 13 milhões e aparece registrada como Empresa de Pequeno Porte.
Fora isso, o CNAE utilizado pela empresa é genérico e não autoriza gestão de ativos nem captação de recursos de investidores. Além disso, a empresa ainda não possui autorização do Banco Central para funcionar como instituição de pagamento.
Outro fator que chama a atenção do mercado envolve a estrutura online da empresa. O domínio utilizado pela Azara foi atualizado no mesmo dia em que a nota sobre a compra da Naskar apareceu na imprensa. Além de não possuir o nome dos executivos, a infraestrutura digital inteira da empresa custaria menos de US$ 50 por ano (aproximadamente R$ 253 na cotação atual).
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Siga o Times | CNBCEspecialistas consultados pelo Times Brasil afirmam que o anúncio da venda não deve levar investidores a suspender medidas judiciais já em andamento. Para os advogados, a ausência de documentação verificável impede qualquer confirmação concreta sobre a operação.
O advogado Bruno Boris afirmou que o anúncio representa apenas uma declaração pública do ponto de vista jurídico até que as empresas comprovem efetivamente a compra.
Já Rafael Mortari alertou para o risco de a nota servir como instrumento de gestão do tempo, desacelerando ações judiciais enquanto ativos eventualmente são movimentados ou ocultados.
Eduardo Terashima destacou que esse tipo de anúncio costuma aparecer em casos de captação irregular pouco antes do colapso de operações financeiras. Segundo ele, esse movimento frequentemente busca transformar suspeitas criminais em disputas cíveis, além de ganhar tempo diante das investigações.
Por isso especialistas recomendam que investidores mantenham bloqueios cautelares e demais medidas judiciais até que existam provas concretas sobre a capacidade financeira da Azara e sobre a efetiva devolução dos recursos prometidos.
Dessa forma, é improvável que os investidores recebam de forma imediata os valores após a suposta venda para a Azara. A falta de documentação e levantamentos financeiros da empresa afastam essa possibilidade no momento.
O único sócio-administrador da Azara é Douglas Silva de Oliveira Azara, de 25 anos, morador de Uberlândia, em Minas Gerais. Dados levantados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC apontam que ele possui renda declarada de R$ 1,7 mil mensais.
Mesmo assim, Douglas aparece como administrador de 12 empresas com capital social somado superior a R$ 2,4 bilhões. Entre elas está uma companhia chamada Banco Phoenix, com capital de R$ 1,07 bilhão.
Segundo documentos consultados pela reportagem, Douglas possui 24 protestos ativos em cartório que somam R$ 386 mil, além de mais de 15 processos ligados a estelionato e crimes contra o patrimônio.
A defesa da Azara afirmou que os recursos vieram de herança familiar e investimentos em criptoativos entre 2016 e 2022. No entanto, nenhum documento foi apresentado para comprovar a origem do patrimônio.
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