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QUANTUM: Falta de oralidade prejudica negócios e vendas, afirma Walter Longo

Publicado 09/10/2026 • 21:32 | Atualizado há 1 dia

KEY POINTS

  • Walter Longo afirma que a dificuldade de se expressar verbalmente compromete vendas, negociações e a aprovação de projetos no Brasil.
  • No QUANTUM, especialista defende que escolas valorizem apresentações orais e a escuta, além das habilidades de leitura e escrita.
  • Longo alerta que jovens precisam ampliar o vocabulário e que depender da inteligência artificial pode enfraquecer a criatividade.

A dificuldade de falar bem, ouvir e transmitir ideias com clareza pode custar vendas, negócios e oportunidades à economia brasileira, afirmou Walter Longo, apresentador do QUANTUM, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para ele, o domínio da expressão verbal deixou de ser apenas uma habilidade pessoal e passou a influenciar diretamente a capacidade de persuadir clientes, liderar equipes e aprovar projetos.

Em conversa com Vivianne Brafmann, Longo apresentou o conceito de “personalidade”, utilizado no programa para distinguir aquilo que uma pessoa é da maneira como consegue se expressar. “Personalidade é o que eu sou. Personalidade é como eu me expresso”, disse, ao explicar que a comunicação envolve linguagem, emoção, intenção e postura. Segundo ele, técnicas podem ser aprendidas, mas a expressão precisa permanecer genuína.

O especialista sustentou que a oralidade tem impacto econômico porque uma apresentação insuficiente pode impedir uma venda ou uma negociação. “Nós não temos ideia do tamanho da economia que nós estamos perdendo, do volume de vendas que não são feitas porque alguém não se expressou adequadamente”, afirmou. Ele também citou projetos que deixam de ser aprovados por falhas na apresentação.

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Escolas privilegiam escrita e deixam a fala em segundo plano

Na análise de Longo, a educação concentrou seus métodos em ler e escrever, sem dar atenção equivalente à fala e à escuta. “A educação em geral migrou para o escrever e ler e abandonou o falar e ouvir”, afirmou. Ele defendeu que as escolas incorporem provas orais e apresentações diante da turma como forma de desenvolver raciocínio, segurança e capacidade de argumentação.

Para o apresentador, a comunicação verbal exige organização imediata do pensamento. “Sempre que você fala, você está pensando ao vivo”, disse. A prática, acrescentou, requer foco, atenção e sequência lógica, competências necessárias tanto para um médico explicar um tratamento quanto para um executivo defender um orçamento diante de um conselho.

O jornalista Jorge Curi Neto, convidado do episódio e apresentado como especialista em voz, design e economia da oralidade, também criticou a falta de formação estruturada nessa área. “A escola aprendeu a formar bons leitores e bons escritores, mas formar quem fala bem ficou devendo”, afirmou. Para ele, ensinar a expressão oral significa ampliar a autonomia e o poder de convencimento das pessoas.

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Vendas e liderança dependem de persuasão e escuta

Longo relacionou a economia da oralidade à diferença entre resultados possíveis e aqueles que deixam de acontecer por falhas de comunicação. Ele citou desde um vendedor incapaz de convencer um consumidor até um profissional que não consegue apresentar uma proposta. “Cada vez que alguém não consegue, através da oralidade, da sua personalidade, convencer uma plateia, uma pessoa ou um negócio, não são fechados”, disse.

A habilidade, segundo o especialista, não se limita à voz. Ela também depende do olhar, da postura e da disposição de ouvir o interlocutor. “Você tem que ter vontade de expressar algo e ter a competência de expressar aquilo que você quer dizer”, afirmou. Longo destacou que uma comunicação autêntica permite transmitir emoções e intenções que, em sua visão, muitas vezes se perdem em mensagens escritas.

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O apresentador afirmou ainda que a comunicação oral é uma interface natural do ser humano, capaz de transmitir tons, ritmos e reações. Para ele, o predomínio de mensagens escritas pode reduzir o repertório e dificultar a persuasão, com consequências para relações pessoais e profissionais.

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Jovens precisam ampliar vocabulário para acompanhar tecnologia

No quadro “Desaprenda Isso”, Longo questionou a ideia de que os jovens sempre terão vantagem na adoção de novas tecnologias. Segundo ele, o avanço de interfaces baseadas em voz pode favorecer quem dispõe de vocabulário amplo e consegue formular pedidos e argumentos com precisão.

“Se eles quiserem continuar a serem os líderes da adoção tecnológica, vão ter, parece até um contrassenso que eu vou falar, vão ter que ler mais, expandir seu vocabulário”, afirmou. Na visão do especialista, a fluência digital não substitui a capacidade de estruturar pensamentos e se expressar com clareza.

Longo descreveu um círculo virtuoso entre linguagem e raciocínio: a ampliação do vocabulário ajuda a pensar melhor, enquanto a organização das ideias melhora a fala. “Quanto mais você fala bem, mais você pensa bem”, resumiu.

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Inteligência artificial deve ser escada, não muleta

Ao discutir inteligência artificial e criatividade, Longo alertou para o risco de transferir às ferramentas digitais todo o esforço de buscar conhecimento. “O que você não embarca na sua cabeça não faz sinapse. Ao não fazer sinapse, não gera insight. Ao não gerar insight, você não tem ideia”, afirmou, ao defender que a construção de repertório continue sendo uma atividade pessoal.

O apresentador contrapôs quem utiliza a internet para aprofundar a curiosidade àqueles que deixam de aprender porque acreditam que poderão consultar qualquer resposta quando necessário. “Aos curiosos caberá a liderança do mundo, a capacidade persuasiva, a capacidade de liderar”, disse. Sua recomendação é pesquisar assuntos novos e ampliar continuamente o repertório.

Para Longo, a IA pode servir como apoio ao aprendizado, mas não como substituta do pensamento. “Tem muita gente que está achando que a IA é uma muleta e, na verdade, ela pode ser uma escada”, afirmou. Como exercício prático, sugeriu que as pessoas gravem a própria fala e depois a escutem, para identificar vícios de linguagem, pausas e dificuldades de comunicação.

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