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O processo de escolha do próximo presidente do Fed de Atlanta passa por mudanças sob Kevin Warsh

Publicado 23/06/2026 • 15:33 | Atualizado há 21 horas

KEY POINTS

  • A presidência do Federal Reserve de Atlanta está vaga desde fevereiro, após o fim do mandato do ocupante anterior. A cadeira representa a oportunidade mais imediata para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, influenciar a composição do comitê que define os juros nos EUA.
  • O Conselho de Governadores do Fed, em Washington, participa da escolha para Atlanta. Segundo fontes ouvidas pela CNBC, o processo foi reiniciado após Warsh assumir o comando da instituição.
  • O Fed chegou a considerar Michael Faulkender, ex-vice-secretário do Tesouro dos EUA, para o cargo em Atlanta, mas o processo de seleção segue em andamento e sua situação atual não está clara.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh

A busca por um novo presidente para o Federal Reserve Bank de Atlantaagora entrando em seu sétimo mês é acompanhada de perto por analistas que observam como o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, pretende remodelar o Federal Open Market Committee (FOMC), responsável pelas decisões sobre juros nos Estados Unidos.

O processo sofreu alterações à medida que Warsh começou a imprimir sua marca na instituição. O Fed avaliava candidatos para Atlanta ainda sob a gestão do então presidente Jerome Powell, mas a seleção foi interrompida, em parte para permitir que Warsh supervisionasse a nomeação, disseram à CNBC duas pessoas familiarizadas com o processo, sob condição de anonimato devido à natureza ainda em andamento da busca. Segundo elas, Michael Faulkender, ex-integrante de alto escalão do Tesouro durante o governo do presidente Donald Trump, passou posteriormente a ser considerado para o cargo.

Não está claro se Faulkender continua sendo candidato. O Fed de Atlanta se recusou a comentar sobre Faulkender ou sobre quem está sendo avaliado para a posição.

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“Nosso comitê está conduzindo uma busca criteriosa e deliberada pelo próximo presidente do Federal Reserve Bank de Atlanta. Mantemos o foco na seleção do melhor candidato para servir ao Sexto Distrito, ao mesmo tempo em que protegemos a integridade do processo”, afirmou por e-mail Greg Haile, presidente do conselho de diretores do Fed de Atlanta e do comitê de busca. “Forneceremos atualizações relevantes sobre essa importante posição de liderança quando apropriado.”

O Fed e Faulkender também se recusaram a comentar.

Warsh prometeu uma “mudança de regime” no Fed, incluindo uma revisão da política de juros e do balanço patrimonial da instituição, da comunicação oficial e dos indicadores utilizados para avaliar a economia. No entanto, ele assumiu o comando de um Fed cuja composição foi moldada por Powell e por presidentes anteriores. Além da vaga em Atlanta, Warsh tem poucas oportunidades imediatas para levar aliados ao FOMC.

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Recentemente, ele anunciou a criação de cinco grupos de trabalho para estudar as mudanças que pretende implementar. Esses grupos serão compostos por especialistas externos. Nenhum governador ou presidente regional atualmente em exercício participará das equipes.

Warsh assumiu o cargo enfrentando questionamentos sobre o grau de independência que manterá em relação a Trump. Ainda assim, em sua primeira reunião do FOMC na semana passada, ele não atendeu às pressões do presidente por cortes rápidos nos juros.

Ao contrário, Warsh contrariou as expectativas de muitos analistas ao adotar um tom mais duro em sua coletiva de imprensa, levando o mercado a elevar suas projeções para as taxas de juros.

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A nomeação para Atlanta pode servir como mais uma oportunidade para Warsh demonstrar independência em relação ao governo.

Os presidentes dos 12 bancos regionais do Fed são escolhidos por meio de um processo conjunto entre os diretores locais e o Conselho de Governadores, em Washington. O modelo foi criado pela Lei do Federal Reserve para equilibrar a influência do conselho central e do poderoso Fed de Nova York com uma representação regional mais ampla.

Normalmente, os diretores do banco regional contratam uma empresa de recrutamento e elaboram uma lista de candidatos. Após receberem feedback de Washington, escolhem um presidente aceitável tanto para o conselho quanto para o presidente do Fed. O processo pode incluir contribuições de integrantes do Congresso e de grupos de interesse.

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Muitas vezes, os diretores dos bancos regionais possuem suas próprias preferências. O Fed de Kansas City, por exemplo, escolheu ao longo de décadas uma sequência de dirigentes com perfil mais favorável a juros elevados. A instituição acumulou o maior número de votos divergentes no FOMC contra medidas de afrouxamento monetário.

A vaga em Atlanta está aberta desde fevereiro, quando Raphael Bostic deixou o cargo ao término de seu mandato. Sua saída havia sido anunciada em novembro. Em 2017, Bostic tornou-se o primeiro afro-americano a comandar um banco regional do Fed, em meio à pressão do Congresso e de grupos externos por maior diversidade na liderança da instituição.

A empresa de recrutamento executivo Heidrick & Struggles coordena a busca atual. A companhia não respondeu aos pedidos de comentário.

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Warsh poderá remodelar o comitê de forma mais ampla no futuro. A Suprema Corte dos Estados Unidos deverá decidir em breve se a governadora Lisa Cook poderá permanecer no cargo após uma tentativa de demissão promovida por Trump no ano passado. Já o mandato de Powell no Conselho de Governadores termina em janeiro de 2028.

Outros três presidentes de bancos regionais também poderão ser substituídos em 2028: John Williams, de Nova York; Mary Daly, de São Francisco; e Tom Barkin, de Richmond.

A CNBC informou anteriormente que já existe uma campanha discreta para incentivar Warsh a buscar um substituto para Williams.

O presidente do Fed de Nova York possui voto permanente no FOMC. Os demais 11 presidentes regionais, incluindo o de Atlanta, votam de forma rotativa. O futuro presidente do Fed de Atlanta terá direito a voto no comitê em 2027. Atualmente, o banco é comandado interinamente por Cheryl Venable.

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Em sua última coletiva de imprensa como presidente do Fed, Powell demonstrou preocupação com a possibilidade de interferência política sobre os dirigentes regionais. Caso esses dirigentes fossem removidos por causa de suas posições sobre política monetária, “isso seria o começo do fim da capacidade do Fed de conduzir a política monetária de forma independente”, afirmou Powell em abril.

Durante sua audiência de confirmação, também em abril, Warsh declarou que, embora tenha defendido uma “mudança de regime” no Fed, não se referia à substituição dos presidentes dos bancos regionais.

Faulkender foi vice-secretário do Tesouro entre março e agosto de 2025 e atualmente é professor de Finanças na Universidade de Maryland. Segundo o Wall Street Journal, ele deixou o cargo no Tesouro após perder a confiança de Trump. Faulkender também ocupou interinamente o comando da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS).

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A escolha final para Atlanta será observada atentamente em busca de sinais de alinhamento ou independência em relação ao governo Trump.

Dois atuais presidentes regionais do Fed, Austan Goolsbee, de Chicago, e Neel Kashkari, de Minneapolis, já ocuparam cargos políticos em diferentes administrações dos Estados Unidos.

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