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Brasil sobe para 3ª posição entre países mais difíceis para fazer negócios
Publicado 13/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 13/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
O avanço do Brasil para a 3ª posição no ranking global de complexidade para fazer negócios, segundo o Índice Global de Complexidade de Negócios da TMF Group, reflete um ambiente marcado por burocracia elevada, excesso de regulações, insegurança jurídica e dificuldades tributárias, segundo avaliação do economista e professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo. Para ele, o cenário afasta investimentos e amplia os custos operacionais das empresas no país.
Em entrevista nesta quarta-feira (13) ao programa Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Bergo afirmou que o problema vai além da economia e envolve também a cultura política e legislativa brasileira. “O problema maior é a nossa cultura. Nós temos ficado entre os piores nessa avaliação mundial e pesa muito a falta de compreensão do Congresso sobre as necessidades corporativas”, afirmou.
Segundo ele, medidas recentes envolvendo tributação e relações de trabalho aumentaram a insegurança das empresas. “Tivemos imposto de renda sobre dividendos, discussão da escala 6×1, além de um ambiente pesado na área contábil, financeira e administrativa”, ressaltou. O professor também apontou que questões ligadas à geopolítica, logística e fretes ampliam o chamado “custo Brasil”.
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Bergo destacou ainda que o ambiente político contribui para ampliar a incerteza econômica. “Temos um ano eleitoral e isso aumenta a burocracia, o receio e a insegurança para investir”, observou. Ele também criticou a diversidade de regras estaduais e as dificuldades criadas durante a implementação da reforma tributária sobre o consumo.
Na avaliação do economista, a reforma tributária representa um avanço em relação ao sistema atual, mas o período de transição entre os dois modelos tem elevado os custos das empresas, especialmente das pequenas e médias. “Você trabalhar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo aumenta os investimentos e os gastos das empresas num ambiente de juros elevados”, explicou.
O professor afirmou que empresas têm sido obrigadas a ampliar despesas com escritórios de advocacia, contabilidade e adaptação tecnológica para atender às novas exigências fiscais. “As margens de lucro se reduzem e muitas empresas enfrentam dificuldades, sobretudo pequenas e médias”, destacou.
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Apesar das críticas, Bergo avaliou que o novo modelo tributário tende a simplificar o sistema no longo prazo. “A reforma tributária não é a ideal, foi a possível, mas é muito melhor do que o sistema atual”, pontuou. Segundo ele, o cenário deve melhorar quando o país deixar de operar simultaneamente com as regras antigas e as novas.
Ao comparar o Brasil com países considerados menos complexos para negócios, como Dinamarca, Ilhas Cayman e Jersey, César Bergo afirmou que parte dessas economias se beneficia de ambientes regulatórios mais simples e menor burocracia. Ainda assim, ele ponderou que o Brasil possui potencial competitivo relevante em setores estratégicos.
“O Brasil tem potencial enorme em energia limpa, matéria-prima e diversas atividades capazes de atrair capital, mas esbarra na legislação, no Judiciário e no Executivo”, disse. Para ele, o excesso de tributação e a falta de modernização da infraestrutura comprometem a competitividade nacional.
O professor também criticou gargalos logísticos e a baixa digitalização do ambiente empresarial brasileiro. “Nós não melhoramos portos, estradas e ferrovias. Além disso, a América do Sul está na rabeira da utilização de tecnologia, enquanto países asiáticos usam praticamente 100% das ferramentas tecnológicas”, afirmou.
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Segundo Bergo, entraves ambientais, cartoriais e regulatórios continuam afastando investimentos produtivos do país. “Tudo isso acaba dificultando os negócios e afastando o investimento produtivo do Brasil”, concluiu.
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