Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Brasil sobe para 3ª posição entre países mais difíceis para fazer negócios, diz professor da UnB
Publicado 13/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 59 minutos
Publicado 13/05/2026 • 16:00 | Atualizado há 59 minutos
KEY POINTS
O avanço do Brasil para a 3ª posição no ranking global de complexidade para fazer negócios reflete um ambiente marcado por burocracia elevada, excesso de regulações, insegurança jurídica e dificuldades tributárias, segundo avaliação do economista e professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo. Para ele, o cenário afasta investimentos e amplia os custos operacionais das empresas no país.
Em entrevista nesta quarta-feira (13) ao programa Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Bergo afirmou que o problema vai além da economia e envolve também a cultura política e legislativa brasileira. “O problema maior é a nossa cultura. Nós temos ficado entre os piores nessa avaliação mundial e pesa muito a falta de compreensão do Congresso sobre as necessidades corporativas”, afirmou.
Segundo ele, medidas recentes envolvendo tributação e relações de trabalho aumentaram a insegurança das empresas. “Tivemos imposto de renda sobre dividendos, discussão da escala 6×1, além de um ambiente pesado na área contábil, financeira e administrativa”, ressaltou. O professor também apontou que questões ligadas à geopolítica, logística e fretes ampliam o chamado “custo Brasil”.
Leia também: EXCLUSIVO: Mercado de fusões e aquisições no Brasil sobe 114% em valor com menos negócios e mais capital por operação
Bergo destacou ainda que o ambiente político contribui para ampliar a incerteza econômica. “Temos um ano eleitoral e isso aumenta a burocracia, o receio e a insegurança para investir”, observou. Ele também criticou a diversidade de regras estaduais e as dificuldades criadas durante a implementação da reforma tributária sobre o consumo.
Na avaliação do economista, a reforma tributária representa um avanço em relação ao sistema atual, mas o período de transição entre os dois modelos tem elevado os custos das empresas, especialmente das pequenas e médias. “Você trabalhar com dois sistemas tributários ao mesmo tempo aumenta os investimentos e os gastos das empresas num ambiente de juros elevados”, explicou.
O professor afirmou que empresas têm sido obrigadas a ampliar despesas com escritórios de advocacia, contabilidade e adaptação tecnológica para atender às novas exigências fiscais. “As margens de lucro se reduzem e muitas empresas enfrentam dificuldades, sobretudo pequenas e médias”, destacou.
Leia também: Mercado brasileiro sofre impacto de cenário internacional instável
Apesar das críticas, Bergo avaliou que o novo modelo tributário tende a simplificar o sistema no longo prazo. “A reforma tributária não é a ideal, foi a possível, mas é muito melhor do que o sistema atual”, pontuou. Segundo ele, o cenário deve melhorar quando o país deixar de operar simultaneamente com as regras antigas e as novas.
Ao comparar o Brasil com países considerados menos complexos para negócios, como Dinamarca, Ilhas Cayman e Jersey, César Bergo afirmou que parte dessas economias se beneficia de ambientes regulatórios mais simples e menor burocracia. Ainda assim, ele ponderou que o Brasil possui potencial competitivo relevante em setores estratégicos.
“O Brasil tem potencial enorme em energia limpa, matéria-prima e diversas atividades capazes de atrair capital, mas esbarra na legislação, no Judiciário e no Executivo”, disse. Para ele, o excesso de tributação e a falta de modernização da infraestrutura comprometem a competitividade nacional.
O professor também criticou gargalos logísticos e a baixa digitalização do ambiente empresarial brasileiro. “Nós não melhoramos portos, estradas e ferrovias. Além disso, a América do Sul está na rabeira da utilização de tecnologia, enquanto países asiáticos usam praticamente 100% das ferramentas tecnológicas”, afirmou.
Leia também: ABPA diz que Brasil cumpre regras sanitárias da UE após suspensão
Segundo Bergo, entraves ambientais, cartoriais e regulatórios continuam afastando investimentos produtivos do país. “Tudo isso acaba dificultando os negócios e afastando o investimento produtivo do Brasil”, concluiu.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
BC multa Banco Topázio em R$ 16,2 milhões, veta operações com cripto e põe outras instituições no radar
2
Linha do tempo: como os sócios da Naskar abandonaram a sede e sumiram com o dinheiro de investidores
3
Rombo contábil de R$ 5 bilhões na Aegea afeta Itaúsa e adia planos de IPO
4
Como gigantes do e-commerce pressionaram o Elo7? Entenda o que aconteceu
5
Ex-jogador de vôlei e ex-ESPN está entre sócios da Naskar, fintech que sumiu com quase R$ 1 bilhão de clientes