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Prévia da inflação reforça incerteza sobre juros e amplia pressão sobre o Banco Central
Publicado 27/05/2026 • 11:17 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 27/05/2026 • 11:17 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
A prévia da inflação divulgada nesta semana reforça um ambiente de maior incerteza para a política monetária brasileira e reduz o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros, avaliou o especialista em mercado financeiro da Escola de Administração da ESPM, Hudson Bessa. Segundo ele, o cenário atual combina pressão persistente dos alimentos, impactos da guerra no Oriente Médio e aumento das incertezas fiscais e climáticas.
O economista concedeu entrevista nesta quarta-feira (27) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. “Acho que essa hipótese de levar a taxa de juros para 12% no fim do ano não existe mais”, pontuou Bessa ao comentar as revisões nas expectativas do mercado. Para ele, a inflação continua pressionada por diversos fatores simultâneos, o que dificulta uma trajetória mais intensa de queda da Selic.
O especialista destacou que os alimentos seguem como um dos principais focos de pressão inflacionária desde a pandemia, em meio a problemas nas cadeias globais de produção e aos efeitos climáticos sobre o agronegócio.
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“A alimentação vem sendo o item que mais pressiona a inflação”, ressaltou. Segundo Bessa, o cenário piorou recentemente com o avanço das tensões envolvendo o Irã e os impactos sobre petróleo e combustíveis.
Ele observou, porém, que medidas adotadas pelo governo ajudaram temporariamente a conter parte da pressão nos transportes. “O governo conseguiu segurar a inflação decorrente da guerra do Irã”, explicou ao citar subsídios e mecanismos de amortecimento aplicados sobre combustíveis.
Ao mesmo tempo, o especialista lembrou que a energia elétrica voltou a pressionar os índices por causa da bandeira tarifária amarela. “A maior contribuição altista veio da energia elétrica”, frisou.
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Bessa avaliou que o mercado vive uma divisão sobre os próximos passos do Banco Central. Enquanto parte dos analistas defende a interrupção imediata dos cortes de juros, outros ainda enxergam espaço limitado para novas reduções.
Apesar disso, ele considera improvável um novo ciclo de alta da Selic no curto prazo. “Acho muito difícil vir aumento de juros”, observou.
Segundo o especialista, a autoridade monetária precisará equilibrar o combate à inflação com os impactos negativos da taxa real de juros sobre a atividade econômica. Ele destacou que empresas brasileiras já começam a sofrer com o ambiente financeiro mais restritivo.
“Uma economia por tanto tempo com taxa de juro real tão elevada começa a mostrar seus impactos”, alertou. Bessa citou o avanço dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial entre grandes companhias como um dos sinais de deterioração do ambiente econômico.
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O economista também demonstrou preocupação com o cenário fiscal em meio ao ano eleitoral e ao avanço de medidas de estímulo por parte do governo.
“O governo vem promovendo um pacote bastante grande de bondades”, apontou. Segundo ele, gastos adicionais, renúncias tributárias e subsídios ampliam as dificuldades do Banco Central no controle inflacionário.
Bessa destacou que o mercado monitora especialmente dois fatores de difícil previsão: a duração da guerra no Oriente Médio e o tamanho dos estímulos fiscais que poderão ser adotados pelo governo nos próximos meses.
Ele afirmou ainda que os efeitos climáticos associados ao El Niño tendem a ampliar as pressões sobre os alimentos. “O El Niño vai ser mais um evento climático a pressionar o preço dos alimentos”, destacou.
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Na avaliação do especialista, o ambiente econômico deve permanecer marcado por elevada volatilidade ao longo dos próximos meses.
“Volatilidade terá”, resumiu Bessa ao comentar os impactos esperados sobre bolsa, juros e câmbio. Segundo ele, o mercado deve continuar operando em um ambiente de apreensão diante da combinação entre riscos externos, incertezas fiscais e inflação resistente.
Sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o especialista acredita que ainda existe espaço para um corte moderado de juros.
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“Acho que um corte de 0,25 ponto ainda tem espaço”, concluiu. Segundo ele, o Banco Central deverá adotar uma postura mais cautelosa, avaliando os indicadores econômicos reunião a reunião antes de definir os próximos passos da política monetária.
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