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O que é a EMAE e por que ela aparece no caso que envolve Equatorial, Sabesp e Banco Master
Publicado 22/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 22/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: divulgação/ EMAE
O que é a EMAE e por que ela aparece no caso que envolve Sabesp e Banco Master
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), estatal paulista responsável pela gestão de represas estratégicas e pela operação de usinas hidrelétricas no estado de São Paulo, entrou no centro das investigações do Ministério Público sobre possíveis conexões entre a privatização da Sabesp e o escândalo envolvendo o Banco Master.
O caso ganhou força após uma representação apresentada em março de 2026 ao MP-SP apontar que estruturas financeiras usadas no leilão da EMAE teriam ligação com os mesmos grupos empresariais citados na venda do controle da Sabesp.
A apuração envolve operações realizadas entre abril e julho de 2024, período em que o governo paulista promoveu a privatização das duas companhias.
Segundo o documento analisado pela Promotoria do Patrimônio Público, o Banco Master teria participado da estruturação financeira de grupos interessados nas aquisições, utilizando fundos, debêntures e operações cruzadas para viabilizar os negócios.
A EMAE aparece no caso porque, além de ter sido privatizada em abril de 2024, acabou posteriormente adquirida pela própria Sabesp já privatizada, em outubro de 2025.
Para investigadores e autores da representação, a sequência das operações levanta dúvidas sobre a circulação dos ativos e sobre os agentes envolvidos nas negociações.
A EMAE é responsável pela administração de estruturas consideradas estratégicas para São Paulo. A companhia opera as represas Billings e Guarapiranga, além de atuar no controle do fluxo do Rio Pinheiros para geração de energia elétrica.
A empresa também mantém usinas importantes do sistema energético paulista, entre elas a Henry Borden, em Cubatão, uma das mais conhecidas do país por utilizar o desnível da Serra do Mar para produção de energia.
As origens da EMAE remontam ao fim do século XIX, quando a antiga Light iniciou suas operações no Brasil.
Ao longo do século XX, a companhia participou da expansão do sistema elétrico paulista, incluindo obras que transformaram o Rio Pinheiros e permitiram a criação do reservatório Billings.
A atual estrutura da EMAE surgiu em 1998, após a cisão da Eletropaulo dentro do Programa Estadual de Desestatização do governo paulista.
A EMAE foi leiloada pelo governo de São Paulo em 19 de abril de 2024 na bolsa brasileira. O vencedor foi o Fundo Phoenix, que apresentou proposta de cerca de R$ 1,04 bilhão.
O detalhe que passou a chamar atenção dos investigadores foi o fato de o fundo ter sido criado menos de 30 dias antes do leilão.
Segundo a representação enviada ao Ministério Público, o veículo financeiro utilizou ações da Ambipar como principal garantia patrimonial.
O documento afirma que esses papéis passaram por uma valorização superior a 800% ao longo de 2024, movimento que, segundo a denúncia, teria características compatíveis com manipulação de mercado e simulação de liquidez.
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A representação também cita que a aquisição da EMAE foi financiada por meio de emissão privada de debêntures estruturada com participação do Banco Master, da Trustee DTVM, do empresário Nelson Tanure e de Tércio Borlenghi Junior, fundador da Ambipar.
A estatal voltou ao centro das discussões em outubro de 2025, quando a Sabesp anunciou a compra do controle acionário da EMAE.
A operação envolveu a aquisição de aproximadamente 74,9% das ações ordinárias e 66,8% das preferenciais da companhia.
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Em dezembro daquele ano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou o negócio sem restrições. Já em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou oficialmente a transferência de controle.
Para os autores da representação apresentada ao MP-SP, a sequência das operações cria um elo entre os grupos empresariais envolvidos na privatização da EMAE e os agentes que participaram da venda da Sabesp.
Um dos nomes mencionados no documento é o de Carlos Piani. Segundo a representação, ele ocupou cargos estratégicos em diferentes empresas durante o período das operações investigadas.
Piani presidiu o conselho da Ambipar durante a valorização das ações usadas como lastro do Fundo Phoenix. Também esteve à frente do conselho da Equatorial Energia no período da privatização da Sabesp e, posteriormente, assumiu a presidência da companhia de saneamento já privatizada.
Os autores da denúncia afirmam que a sequência de funções exercidas por ele ao longo das operações reforça a necessidade de investigação sobre a relação entre os negócios.
O Ministério Público de São Paulo informou que analisa a representação para verificar possível conexão com outro procedimento já em andamento na 5ª Promotoria de Patrimônio Público.
O pedido apresentado ao órgão solicita abertura de inquérito civil, apuração de eventual improbidade administrativa e compartilhamento das informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal caso surjam indícios de crimes de competência federal.
Em nota enviada ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a Equatorial Energia afirmou que o processo de desestatização da Sabesp ocorreu dentro de uma oferta pública conduzida com legalidade, transparência e ampla divulgação.
A Sabesp e Carlos Piani foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
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