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Por André Amadeus
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Publicado 13/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
Foto: reprodução/Polícia Federal.
O que se sabe sobre a sétima fase da Operação Compliance Zero
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 176 milhões do grupo Genial Investimentos na última segunda-feira (4), no âmbito de uma ação cautelar ligada à Operação Carbono Oculto.
A medida foi adotada para tentar garantir a recuperação de valores associados a um esquema investigado por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e atuação do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro.
O caso envolve empresas, fundos de investimento, operações bancárias e um conjunto relevante de imóveis na capital paulista.
As apurações têm como foco principal duas companhias do setor de combustíveis, a Áster e a Copape. Ambas são apontadas pelo Ministério Público de São Paulo como integrantes de um esquema mais amplo que envolve fraude fiscal e organização criminosa.
Os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme aparecem como os principais alvos. Segundo as investigações, as empresas teriam participação em um modelo estruturado para movimentação de recursos de origem ilícita, com impacto direto na arrecadação de ICMS.
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O valor total cobrado pelo Estado chega a R$ 7,6 bilhões, considerando juros e multas.
O elo entre o setor produtivo e o sistema financeiro teria ocorrido por meio de fundos de investimento. Um dos principais elementos citados é um FIDC estimado em cerca de R$ 500 milhões, vinculado a uma carteira de crédito consignado.
Após mudanças nas relações com outras gestoras, os investigados passaram a operar com estruturas ligadas ao Genial.
Entre elas está o fundo Radford, utilizado para aquisição de CDBs emitidos pelo próprio banco. Esse movimento é considerado central na engrenagem financeira do caso.
Na sequência, recursos teriam sido redirecionados por meio de operações de crédito, com uso de instrumentos como CCB.
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Esses valores abasteceram uma empresa chamada Berna, que adquiriu participação em outro fundo, posteriormente reestruturado e transferido entre diferentes gestoras.
O Genial Investimentos aparece como intermediário relevante nas operações. A instituição teria estruturado produtos financeiros que conectam os recursos das empresas investigadas a novas aplicações e empréstimos.
Segundo os registros do caso, os próprios valores investidos em CDBs foram utilizados como garantia em operações de crédito.
Esse tipo de estrutura chamou a atenção das autoridades por indicar possível uso de recursos próprios dos investigados para gerar lastro financeiro e adquirir ativos.
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O banco afirma que atua dentro das normas do mercado financeiro e diz colaborar com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos.
Um dos pontos mais relevantes da investigação envolve o destino final dos recursos. A empresa Berna, abastecida pelas operações financeiras, detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões.
Esses bens incluem terrenos em regiões como Tremembé e Vila Guilherme, além de postos de combustíveis.
Os registros indicam que os imóveis foram colocados como garantia em operações vinculadas ao próprio banco.
Para os investigadores, essa etapa representa a consolidação de um possível mecanismo de ocultação patrimonial, no qual ativos físicos são adquiridos com recursos que circulam por estruturas financeiras complexas.
Durante o avanço da Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, houve uma tentativa de desfazer parte das operações financeiras. A justificativa apresentada foi de que a decisão já havia sido tomada anteriormente.
A Procuradoria interpretou o movimento como tentativa de burlar a execução judicial. Com isso, determinou o bloqueio dos valores.
A decisão foi mantida após recurso e reforçou a estratégia de impedir a dispersão dos recursos investigados.
Deflagrada em 2025, a investigação mobilizou cerca de 1.400 agentes e alcançou 350 alvos em diferentes estados.
As investigações apontam para um esquema amplo que envolve desde a adulteração de combustíveis até o uso de estruturas financeiras sofisticadas.
Leia também: Banco Genial na mira: MP pede 90 dias para concluir inquérito que liga Faria Lima ao PCC
Segundo as autoridades, o grupo investigado teria movimentado bilhões de reais por meio de fundos e até de uma fintech paralela. O objetivo seria dificultar o rastreamento dos valores e ampliar a capacidade de atuação do esquema.
O Ministério Público solicitou mais prazo para concluir as investigações. O caso Carbono Oculto segue sob sigilo e pode avançar para novas fases, com possibilidade de atingir outros setores e agentes envolvidos.
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